TJ decreta prisão de prefeito
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sexta-feira, 09 de março de 2001
Vânia Moreira De Mariluz 
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) decretou no final da tarde de ontem a prisão preventiva do prefeito de Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama), o padre licenciado Adelino Gonçalves (PMDB). Ele é acusado de ser o mandante dos assassinatos de seu vice-prefeito, Aires Domingues (PPS), e do presidente do diretório municipal do PPS, Carlos Alberto de Carvalho.
O juiz Joni Campos Marques acatou o pedido da Procuradoria de Justiça, que solicitou a prisão do prefeito na quarta-feira. Segundo o juiz, a prisão se justifica para garantia da ordem pública. Ele destaca que os crimes acabaram por traumatizar a opinião pública da cidade.
Ontem de manhã, moradores de Mariluz depredaram a prefeitura e o carro do prefeito. Adelino Gonçalves reassumiu o cargo e, duas horas depois, teve de sair do prédio sob escolta para ser levado a Umuarama num carro da Polícia Civil. A Polícia Militar mobilizou 15 carros e cerca de 50 homens para tentar conter a multidão enfurecida.
Aproximadamente mil pessoas cercaram a prefeitura e passaram a atirar pedras, tijolos e outros objetos, quebrando as vidraças do prédio. Adelino Gonçalves não queria deixar o local e só saiu após a intervenção de um juiz de Cruzeiro do Oeste. Depois que a polícia retirou o prefeito do prédio, os manifestantes tentaram queimar o Omega 97 dele e só não conseguiram porque a tropa de choque da PM de Campo Mourão evitou.
O prefeito estava fora de Mariluz desde segunda-feira, quando o ex-policial Luiz Lucas Gomes, 44 anos, foi preso acusado de matar o vice-prefeito e o presidente do PPS. Gomes confessou à polícia ter sido contratado pelo prefeito por R$ 20 mil e mais um carro.
Dois assessores de Adelino Gonçalves também estariam envolvidos no crime. O motivo seria um dossiê em poder de Carlos Alberto de Carvalho com denúncias de abuso sexual contra o padre licenciado.


