O ex-diretor de Participações da Sercomtel Alysson Tobias de Carvalho teve novamente a prisão preventiva decretada pela juíza substituta em segundo grau Lilian Romero, que revogou a liminar concedida no último dia 12 de maio, no plantão judiciário do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, e que determinava sua soltura. Alysson, que esteve preso por 12 dias, contando o período internado no Hospital do Coração, não foi localizado ontem à tarde pelos policiais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), no apartamento dele no centro da cidade. No local e no apartamento da mãe dele, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão, porém, nada foi apreendido.
No despacho publicado ontem, Lilian Romero considerou que foi ''litigância de má-fé'', por parte da defesa do acusado, o fato de ter sido apresentado o pedido de habeas corpus durante o plantão do TJ, sendo que havia pedido semelhante já analisado pela juíza. Citando o Código de Normas da Corregedoria-Geral de Justiça, ela afirmou que ''é vedada a apresentação, no Plantão Judiciário, de reiteração de pedido já apreciado no órgão judicial de origem ou em plantão anterior''. Na mesma decisão, ela também julgou extinto um novo pedido de habeas corpus apresentado, esta semana, em favor do chefe de Gabinete da Prefeitura de Londrina, Rogério Lopes Ortega.
A magistrada assinala, ainda, que o auxiliar do TJ que estava em serviço deveria ter informado ao juiz de plantão sobre a existência de decisões anteriores referentes à Alysson, acusado pelo Gaeco de corrupção ativa e formação de quadrilha. ''Diante da gravidade dos fatos'', escreve a juíza, o procedimento será encaminhado para a Corregedoria-Geral de Justiça, ''para que tome as providências que reputar pertinentes''. O auxiliar justificou a falha, alegando grande volume de serviço.
Para embasar a decisão de manter as prisões de Alysson e Ortega, a juíza argumenta que ''as condutas, em tese, praticadas pelos indiciados, no exercício de funções públicas, pelo modo concreto como se desenvolveram, revelam extrema ousadia e gravidade e demonstram desenvoltura a indicar que a liberdade de ambos significa concreto risco de reiteração de delitos''.
Segundo o promotor de Justiça Cláudio Esteves, ''todos os seis denunciados deveriam ficar custodiados preventivamente, tendo em vista o fato de que podem interferir na instrução do processo''. Foram denunciados pelo Gaeco por formação de quadrilha e corrupção, além de Alysson e Ortega, o presidente afastado da Sercomtel, Roberto Coutinho Mendes, o vereador afastado Eloir Valença (PHS), o ex-secretário de Governo Marco Cito e o empresário Ludovico Bonato. A FOLHA tentou falar ontem com o advogado Miguel El Kadri, que defende Alysson, mas ele não atendeu o celular. O ex-diretor da Sercomtel não havia sido localizado até o fechamento desta edição e, a partir de hoje, é considerado foragido.

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