Curitiba - O Tribunal de Justiça (TJ) decide hoje se acata as duas denúncias formuladas pelo Ministério Público (MP) estadual contra o deputado estadual Mário Sérgio Bradock, acusado de homicídio, tentativa de homicídio, tortura, fraude processual e porte ilegal de arma. Devido ao cargo político que ocupa, a denúncia será analisada inicialmente pelo órgão especial do TJ, que reúne 25 desembargadores do tribunal.
As denúncias foram assinadas pelos procuradores Francisco Branco, Munir Gazal e pela procuradora-geral de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, em fevereiro deste ano e referem-se a fatos ocorridos no início de 2001 na região de Rio Branco do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), onde Bradock era delegado de polícia. De acordo com os procuradores do MP, Bradock e o investigador Obadias de Souza Lima teriam torturado o construtor André França Cordeiro para obter dele uma confissão sobre um homicídio ocorrido em 1999.
Na outra denúncia, o MP alega que Bradock seria o responsável pela morte do adolescente Joel Ribeiro, de 16 anos, que se encontrava em um matagal quando Bradock e os investigadores Obadias Lima e Amarildo Gomes da Silva supostamente procuravam um criminoso em Itaperuçu, município situado próximo a Rio Branco do Sul. Em sua defesa, Bradock alegou que Ribeiro também era um criminoso, e teria atirado para revidar disparos efetuados pelo adolescente.
O advogado de Bradock, Cláudio Dalledone Júnior, acredita que o TJ não irá acatar a denúncia. ''A denúncia é totalmente inconstitucional. Em primeiro lugar, o Supremo Tribunal Federal (STF) já reafirmou que o Ministério Público não tem competência de polícia, para realizar investigações como as que foram feitas, com testemunhas escolhidas a dedo para incriminar o deputado'', comentou Dalledone.

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