O desembargador Lídio José Rotoli de Macedo, da 2 Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, colocou em liberdade ontem o empresário Anderson Fernandes, que estava preso preventivamente desde a última quarta-feira por suposto oferecimento de propina ao vereador Roberto Fú (PDT). Anderson, que é dono de um depósito de materiais de construção e de uma imobiliária em Londrina, deixou o 2º Distrito Policial no final da tarde de ontem.
Macedo também concedeu salvo conduto - habeas corpus preventivo que impede a prisão de investigados - ao empresário Ewerton Muffato, cuja suposta participação no esquema de oferecimento de propinas a vereadores estava sendo investigada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O juiz da 3 Vara Criminal de Londrina, Katsujo Nakadomari, havia negado pedido de prisão preventiva contra Muffato.
Segundo o Gaeco, que apreendeu documentos em imóveis de propriedade do Grupo Muffato no último dia 22 (data em que Anderson foi preso pela primeira vez), Anderson teria oferecido R$ 40 mil a Roberto Fú, autor de projeto que revoga a Lei da Muralha, para que ele não polemizasse quando a proposta fosse votada na Câmara. Anderson e Muffato são parceiros num empreendimento que está sendo construído na Zona Sul.
No habeas corpus impetrado a favor de Muffato, o desembargador afirmou vislumbrar ''a possibilidade de o paciente sofrer eventual e futura ordem de prisão'' porque ''este relator mesmo, acompanhando os noticiários locais e nacionais, pôde visualizar a veiculação diária da prisão de Anderson Fernandes'' e sua suposta relação com o empresário supermercadista.
Porém, o magistrado entendeu que não há ''elementos imprescindíveis à segregação'', mesmo entendimento sobre Anderson Fernandes, a quem Lídio Macedo já havia concedido habeas corpus na terça-feira e relaxado a prisão temporária. O empresário foi novamente preso na quarta-feira, porém, preventivamente, por ordem da 3 Vara Criminal de Londrina. ''Vejo que, não obstante a gravidade da situação do Município de Londrina no que tange às várias notícias que envolvem a Câmara Municipal, a prisão do paciente não se mostra imprescindível'', escreveu o desembargador, sugerindo também que a investigação do Gaeco fosse sigilosa. ''Consigno que, situação tida como grave, que deveria estar tramitando sob segredo de Justiça, tornou-se exposta aos ''holofotes da mídia''.''
Para o advogado de Anderson e de Muffato, Walter Bittar, ''as decisões demonstram que as prisões era ilegais, para dizer o mínimo''. Na ação para libertar Muffato, o advogado afirma que o objetivo da prisão solicitada pelo Gaeco não teria ''o objetivo de levar a bom termo a investigação, mas, sim, coagir Everton Muffato para que contribua com as investigações''.

mockup