O desembargador da 2 Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ), Lídio José Rotoli de Macedo, concedeu habeas corpus à primeira-dama Ana Laura Lino, esposa do prefeito Barbosa Neto (PDT) para que ela não compareça à audiência marcada para amanhã, em que seria ouvida como testemunha de acusação na ação criminal do caso Gálatas. Na decisão, o magistrado escreve: ''concedo a liminar para o fim de suspender a audiência designada para o dia 4 de agosto, até decisão final desta corte''. Com isso, não fica claro se toda a audiência foi suspensa, já que mais dez testemunhas estavam intimadas, ou se apenas a oitiva de Ana Laura é que foi suspensa.
O promotor Cláudio Esteves deve solicitar à juíza da 3 Vara Criminal, Oneide Negrão, que faça um pedido de explicações ao desembargador. ''Eu lamento muito o fato de se interferir no andamento do processo, que caminhava muito bem'', disse Esteves.
A defesa de Ana Laura alegou que ser ouvida no processo penal como testemunha - com o compromisso de dizer a verdade, sob pena de ser acusada de falso testemunho - poderia prejudicá-la e ao marido no inquérito que tramita no TJ em que ela e Barbosa Neto são suspeitos de terem exigido propina do Instituto Atlântico para garantir a contratação da entidade.
A princípio, a juíza Oneide Negrão havia dispensado Ana Laura da oitiva, mas reconsiderou sua decisão com base em pedido do Ministério Público. À ocasião, o promotor alegou que a corrupção ocorria em núcleos distintos - Atlântico e Gálatas - e Ana Laura não é acusada de fraudes no Gálatas.
O desembargador, porém, entendeu que ''ainda que consignado tratarem-se de dois núcleos criminosos distintos, ambos são oriundos de contratos supostamente ilícitos firmados com a Prefeitura Municipal, cujo chefe do Executivo é justamente o esposo da paciente Ana Laura Lino''. O prefeito Barbosa Neto nega qualquer envolvimento seu ou de sua esposa no escândalo da Saúde.

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