Acusado pelo MP pela prática de 17 crimes de peculato, apropriação e desvio de verbas públicas, o prefeito de Jardim Alegre (115 km ao sul de Apucarana), Osmir Miguel Braga (PSDB), foi efetivamente afastado ontem do cargo. A decisão unânime dos desembargadores da 2 Câmara Criminal do TJ, julgada há cinco dias, foi cumprida por carta-ordem pelo juiz Alexandre Kozechen, de Ivaiporã.

No sábado, a Câmara havia empossado o vice-prefeito João Valço (PSDB), mas o titular simplesmente desconsiderou a decisão. Ontem, oficiais de Justiça tentaram notificar Osmir, mas ele não foi encontrado. Diante disso, Kozechen determinou a condução do substituto ao gabinete.

De acordo com o relator do processo-crime no TJ, desembargador Telmo Cherem, o afastamento ''tem caráter moralizador e cautelar, evitando embaraços ao bom andamento do processo e a natural e presumível intimidação de testemunhas, entre elas diversos servidores públicos''.

Na ação impetrada pelo MPE, Osmir é acusado de desviar cerca de R$ 132 mil dos cofres públicos, por meio de licitações fraudulentas e superfaturamento em compras. Os supostos atos de improbidade teriam ocorrido entre julho e setembro de 1999, no seu mandato anterior.

Empossado, Valço informou que vai se reunir hoje com assessores e funcionários para discutir um plano de trabalho. ''A população está insatisfeita com muitas coisas e o crédito da prefeitura encontra-se prejudicado. E, mesmo na interinidade, pretendo contribuir para melhorar o que for possível, mantendo bom relacionamento com vereadores, população e até com adversários políticos'', avaliou Valço.

Desde a decisão do TJ a Folha tentou ouvir Osmir, mas não obteve retorno. Seu advogado Antônio Carlos Viana, de Londrina, anunciou que já ingressou com recurso, sustentando que o afastamento de seu cliente é injusto.

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