Brasília - O Tribunal de Justiça do Distrito Federal afastou ontem o deputado distrital Leonardo Prudente (sem partido) do cargo de presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Durante a Operação Caixa de Pandora - que investiga o pagamento de um mensalão a deputados que apoiam o governador José Roberto Arruda -, Prudente foi filmado colocando dinheiro nas meias.
Na decisão liminar, o juiz Alvaro Ciarlini afirmou que é ''inegável a existência de indícios da prática de atos ímprobos por parte do demandado''. O juiz classificou o esquema - conhecido como mensalão do DEM - como ''um sistêmico e crônico banditismo institucionalizado''. É a primeira vez que a Justiça interfere no cenário político do Distrito Federal.
''É indispensável que o Judiciário se posicione com firmeza sobre esses fatos que, se verdadeiros, podem ser considerados uma tragédia imposta pela irresponsabilidade, egoísmo e absoluta ausência de civismo'', escreveu o magistrado no despacho.
Na prática, o afastamento de Prudente não muda a rotina da Câmara até fevereiro, quando os deputados voltam do recesso.
Segundo a assessoria de Prudente, ele não irá comentar a decisão porque ainda não foi notificado. O corregedor da Câmara e relator da CPI da Corrupção, deputado distrital Raimundo Ribeiro (PSDB), também não falou sobre a liminar. ''Não li a decisão. Qualquer comentário meu seria leviano'', disse Ribeiro, ex-secretário do governador Arruda.
Prudente é investigado pela Polícia Federal por ser um dos supostos beneficiados pelo esquema de distribuição de propinas. O deputado foi flagrado em vídeo pegando R$ 50 mil com Durval Barbosa, pivô do escândalo.

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