Tito Valle é alvo de representação
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quarta-feira, 28 de julho de 2010
Janaina Garcia<BR> Reportagem Local 
A ligação entre o vereador Tito Valle (PMDB) e o Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap) é alvo de uma representação protocolada ontem à tarde, na Câmara de Vereadores de Londrina, pela enfermeira Regina Amancio. Segundo a assessoria da Casa, o teor completo do documento só vai ser tornado público, pela Mesa, na sessão da próxima terça-feira - a primeira, após o fim do recesso -, quando haverá também o encaminhamento à Procuradoria Jurídica, para análise.
Ontem, a única informação era a de que, na representação, a enfermeira requeria pedido de processo investigativo, no Legislativo, para apurar a conduta do vereador, em relação ao decoro parlamentar, uma vez que teria laços com o Ciap - oscip que detém, com o Município, cerca de R$ 50 milhões em convênios na área da Saúde. Mês passado, 21 pessoas ligadas à entidade foram denunciadas criminalmente pelo Ministério Público Federal (MPF) do Paraná por suposto desvio de verbas públicas; a iniciativa foi um dos desdobramentos da ''Operação Parceria'', da Polícia Federal (PF), que, em maio, colocou na cadeia 14 pessoas. Só em Londrina, as investigações apontaram que o Ciap teria desviado, nos últimos cinco anos, cerca de R$ 10 milhões. Em todo o País, o rombo teria sido de R$ 300 milhões, de um total de R$ 1 bilhão recebidos dos ministérios da Saúde e Trabalho e Emprego.
O antigo vínculo entre o Ciap e Tito já motivou também medida judicial eleitoral contra o vereador, proposta em fevereiro passado pelo ex-vereador Jamil Janene (PMDB). No recurso, Jamil, primeiro suplente do partido, questionava a expedição do diploma ao colega ao alegar que Tito não teria se desincompatibilizado - face às eleições de 2008 - dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral do cargo de funcionário público que teria como assessor jurídico do Ciap. Na ocasião, Tito alegou que a assessoria prestada à oscip era por meio de registro em carteira de trabalho, o que, apontou, não se tratava de emprego público. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) deu ganho de causa, em maio, ao vereador.
Tito reforçou ontem a versão dada ao TRE sobre o registro em carteira. E finalizou: ''O que me parece é que há motivação política, pois essa moça (autora da representação) sequer trabalha''.


