A Telecom Italia Móbile (TIM) desistiu de comprar a Sercomtel Celular. A informação é da própria assessoria de imprensa da TIM Brasil, que tem sede no Rio de Janeiro (RJ). Por trás da decisão está a banda D, que será explorada, em Londrina, pela nova TIM Centro-Sul. ‘‘Não há mais interesse da TIM, que irá operar (no Paraná) nas bandas D e E’’, assegurou a assessoria da multinacional. Ainda não há data definida para que a empresa inicie as atividades em Londrina.
Em abril de 2001, quando o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT) iniciou o processo de venda da estatal – barrado por um plebiscito –, a TIM foi a única interessada em comprar a parte da companhia que pertence ao município.
Em entrevista à Folha no final de 2001, Nedson admitiu a possibilidade de retomar o debate sobre a venda da Celular, alegando que o início das operações da TIM em Londrina irá afetar diretamente o mercado local. ‘‘Sou o administrador da cidade e tenho responsabilidade sobre a Sercomtel. Se ela estiver em risco, tenho a obrigação de abrir o debate e apresentar uma proposta’’, disse.
De acordo com Paulo César da Silva Machado, presidente interino da Sercomtel, os sócios da empresa – o município detém 55% das ações e a Copel os 45% restantes – não descartam a possibilidade de vendê-la. Segundo avaliação do município, a empresa londrinense valeria entre R$ 100 milhões e R$ 130 milhões.
‘‘Há um interesse demonstrado pelo prefeito. Acho que em negócios tudo é possível, depende da condição da negociação. Acredito que continue a haver interesse da TIM ou de outras empresas, principalmente com a abertura do mercado, em função da estrutura da Sercomtel e a carteira de clientes, que é o que faz o negócio’’, afirmou.
Conforme Machado, mesmo com o aumento da concorrência, ‘‘a Sercomtel tem condições de continuar sendo a empresa que 钒. ‘‘Temos de continuar com o trabalho que vem sendo executado. Pode ser que a lucratividade caia um pouco, temos que avaliar na época. Mesmo que a TIM venha, será bem-vinda e vai ser nossa concorrente direta’’, concluiu.
Apesar de não ter fechado os números da 2001, Machado garantiu que a Sercomtel Celular obteve lucro no ano passado. ‘‘Em termos genéricos atingimos nossas metas. Aumentamos a carteira de clientes significativamente. Acredito que nós, pelos números preliminares, fechamos com número superior ao da concorrente’’, comemorou Machado, contabilizando cerca de 70 mil clientes.
Segundo Machado, a modernização dos equipamentos exigida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), passando do Serviço Móvel Celular (SMC) para o Serviço Móvel Pessoal (SMP), que demandaria investimentos altos, poderá ser feita até 2005. A migração de sistema foi apontada pelo Executivo, no ano passado, como uma das justificativas da venda. ‘‘Não há necessidade de fazer a migração. Depende de estudos técnicos próprios para definir a época correta. As bandas A e B não definiram isso ainda’’, concluiu.

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