O grupo italiano Telecom Itália Móbile (TIM) confirmou ontem que tem interesse em adquirir o controle da Sercomtel Celular caso o município de Londrina decida vender os 55% de ações da empresa telefonia móvel – os outros 45% pertencem à Companhia Paranaense de Energia (Copel). Segundo informações da assessoria de imprensa, o presidente da TIM Celular Sul, Álvaro de Moraes, já se manifestou publicamente sobre o assunto diversas vezes, destacando que a Sercomtel Celular é uma empresa sólida, com bom número de clientes e que opera numa região de população elevada e economia forte. ‘‘É um mercado interessante para qualquer operadora’’, destacou.
Ainda segundo informações da assessoria, a TIM antecipou que pretende abrir mão de operar com a banda D nos mercados do Paraná e de Santa Catarina. O motivo é que o grupo já atua nessas áreas com a Banda A – com exceção de Londrina e Tamarana – e não poderia manter as duas licenças. O leilão da banda D ocorreu no mês passado e a TIM ganhou as licenças de São Paulo e nove Estados das regiões Centro-Oeste e Sul.
A devolução da concessão da banda D no Paraná e Santa Catarina reforça o interesse do grupo italiano pela Sercomtel Celular. A licença voltará para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que deverá fazer um novo leilão para escolher o grupo que vai atuar nesses Estados.
Caso não seja possível comprar a estatal londrinense, a opção da TIM seria continuar operando em Santa Catarina e no restante do Paraná com a banda A e ativar a banda D apenas em Londrina e Tamarana. Desta forma, a disputa pelo mercado londrinense ficaria ainda mais acirrada, com a Sercomtel pública (banda A) concorrendo com os grupos TIM (banda D) e Global Telecom (banda B).
O debate sobre a privatização ou não da Sercomtel Celular esquentou ontem com a divulgação de um estudo elaborado por funcionários do grupo Sercomtel sobre as possibilidades da estatal no mercado com a abertura da concorrência. O trabalho – que a Folha antecipou na edição de ontem – destaca que a abertura do mercado para as novas bandas C, D e E pode dificultar a sobrevivência de uma empresa pequena como a Sercomtel Celular.
‘‘Considerando que a possibilidade de venda da Sercomtel Celular para a Tele Centro Sul (TIM) poderá se esgotar em breve, estimando-se a margem de tempo existente em apenas 60 dias, recomendamos que este assunto seja tratado formalmente’’, destaca trecho do documento, assinado pelos funcionários de carreira Pedro Mangili, João Arcoléze e Antônio Gomes.
‘‘A combinação dos custos elevados das licenças com o custo da tecnologia poderá alijar a maioria dos competidores, deixando o mercado disponível para a dominação de grandes grupos’’, diz em outro trecho, acrescentando que a tendência é o mercado brasileiro ser dominado por apenas cinco gigantes da telefonia. Como exemplo, o relatório relata que a Global Telecom – atual concorrente direta da empresa londrinense – foi absorvida pela Portugal Telecom, que por sua vez firmou uma joint venture com a Telefonica espanhola, criando o maior grupo de de telefonia móvel do Brasil, com investimentos de US$ 10 bilhões.
Além disso, a Portugal Telecom pretende dobrar o número de clientes até o final deste ano e investir, até 2002, R$ 500 milhões na Global Telecom. O relatório destaca ainda que a Global já mantém atualmente uma estrutura de lojas e revendedoras seis vezes maior que a da Sercomtel Celular, além de disponibilizar aparelhos mais baratos. ‘‘Leilões e fusões levam à concentração do mercado, com ganhos extraordinários de escala.’’
Ainda segundo o trabalho, a definição pela venda ou não da Sercomtel Celular deve ser antecipado para que não haja risco de a empresa desvalorizar, em caso de venda; ou então redefinir as estratégias para tentar sobreviver na competição com os gigantes da telefonia. O relatório também sugere que o assunto seja tratado diretamente com a presidência da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e que um novo estudo de viabilidade seja feito por uma consultoria externa, para confirmar ou não as constatações do trabalho.

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