O delegado-chefe da Divisão Policial do Interior (DPI), Adir Proença Corrêa, disse ontem à Folha que poderá acionar o grupo Tigre para auxiliar as investigações sobre o mandante do assassinato do ex-prefeito de Arapuã, Hélio Mathias (PTB). O pedido para o Tigre entrar no caso foi feito esta semana pela família de Mathias, em Arapuã, durante a passeata silenciosa que lembrou os quatro meses da morte do prefeito e pediu pressa na descoberta dos mandantes. A família enviou o pedido à Secretaria de Segurança Pública e ao governador Jaime Lerner.
‘‘Apesar do trabalho do Tigre ser mais de ação do que investigação, até poderemos recorrer a ele. Nesse momento, entendo que ele não é necessário, mas se houver fato novo a polícia pode autorizar seu trabalho’’, explicou. Ele disse que a DPI ainda não recebeu o pedido oficial para entrada do Tigre no caso.
Corrêa elogiou o delegado responsável pelo inquérito, José Carlos Bassalobre, de Arapongas. ‘‘Ele está dirigindo a investigação muito bem. O trabalho está bem adiantado e bem conduzido’’, destacou, informando que ainda não foram efetuadas prisões porque os assassinos estão foragidos. ‘‘Esse é um trabalho de paciência, mas as investigações estão sendo feitas’’, garantiu.
Corrêa lembrou que Bassalobre e seus investigadores já estiveram na Bahia atrás de pistas dos assassinos. Segundo ele, a prisão temporária dos acusados foi decretada, mas eles estão foragidos. O delegado acredita que a polícia só chegará aos mandantes quando os assassinos forem presos. ‘‘A passeata e a pressa da população de Arapuã são legítimas e ela tem mesmo que pressionar a polícia’’, defende.
O escrivão Hoxisley Cortez, de Arapongas, disse ontem que a polícia já ouviu mais de 20 pessoas de Arapuã e Ivaiporã para obter pistas dos mandantes. Além disso, a investigação inclui quebra de sigilo bancário e telefônico dos acusados. Ele explica, porém, que a polícia precisará de autorização da DPI e da Secretaria de Segurança para viagens a Bahia e São Paulo para tentar localizar os assassinos. ‘‘Estão todos identificados, já conversamos várias vezes com os familiares deles, mas agora dependemos de diligências fora’’, reivindica. O chefe da DPI adiantou à Folha que autorizará viagens e diárias.

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