Tião Viana é acusado de articular permanência no cargo
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de outubro de 2007
Gabriela Guerreiroe Renata Girald<br>Folhapress 
Brasília - Em uma semana no cargo, o presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), impôs seu estilo na Casa e entre os pares. Apelou pela paz e a unidade, mostrou-se aberto ao diálogo e buscou dar atenção à oposição -já visando a controvertida votação da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011.
Na interinidade, Viana retomou as votações no Senado, reuniu os senadores com o vice-presidente José Alencar e ainda conseguiu afastar a Casa do foco da crise política. Os elogios vêm da oposição e da base aliada do governo. Mas há quem advirta: a desconfiança deve ser mantida, já que nos bastidores o petista é acusado de trabalhar para permanecer no cargo.
''Eu respeito muito lua-de-mel. Noivo em lua-de-mel não deve ser perturbado, mas isso sempre tem um tempo'', afirmou o senador Heráclito Fortes (DEM-PI).
O senador disse que a oposição está disposta a lutar para ''manter a paz'' no Senado após o afastamento de Renan em meio às articulações para a sucessão do peemedebista.
Assim como o democrata, o tucano Arthur Virgílio (AM) também se mostrou disposto a colaborar com o clima de ''paz e amor'' instalado no Senado nesta semana sob o comando de Viana.
''Ele está indo muito bem, eu não esperava diferente. Vejo o sentimento de ver a Casa funcionar e percebo o sentimento de fazer o senador Tião dar certo. Mas o PSDB, que não tem nada contra o nome de Tião, reconhece que a primazia deve caber ao PMDB'', disse.
O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), considerou ''natural'' o petista conseguir reduzir a tensão na Casa após a licença do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). ''Nós estávamos trabalhando, mas nos últimos dias a coisa tinha esquentado. Conseguimos avançar na votação das matérias esta semana'', disse Raupp.
Viana demonstrou que gosta da pontualidade britânica: iniciou a maior parte das votações no plenário às 16h - o horário previsto pelo regimento interno do Senado.
Sorridente, o petista afirma que respeita as diferenças entre oposição e governo. Ouve e conversa, mas impõe suas determinações - o que ocorreu com as votações, limpando a pauta da Casa e correndo contra o tempo para acelerar as discussões sobre a CPMF.
Nos bastidores, os senadores acompanham as articulações de Viana para se consolidar como líder político capaz de permanecer no comando do Senado. Oficialmente, porém, o petista nega qualquer negociação neste sentido: disse que a presidência da Casa pertence ao PMDB e que não está na disputa.


