Tiago quer ‘surfar a onda’ do governador nos próximos dois anos
O prefeito eleito ainda cita as cirurgias eletivas, a população em situação de rua e a reorganização administrativa como prioridades
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de outubro de 2024
O prefeito eleito ainda cita as cirurgias eletivas, a população em situação de rua e a reorganização administrativa como prioridades
Douglas Kuspiosz - Reportagem Local 

Prefeito eleito de Londrina, Tiago Amaral (PSD) teve um primeiro dia pós-eleição voltado ao atendimento à imprensa da cidade. O deputado estadual aproveitou para elencar algumas prioridades de curto-prazo, como resolver a fila das cirurgias eletivas, dar atendimento à população em situação de rua e atrair novos investimentos para a cidade, dialogando com a aprovação das leis complementares do Plano Diretor, que tramitam no Legislativo.
Em entrevista à FOLHA nesta segunda-feira (28), Tiago fez um balanço positivo da campanha eleitoral deste ano, dizendo ter tido resultados impactantes para um jovem de 38 anos. Se a disputa de 2020 mostrou sua projeção, a deste ano foi “para vencer”, como ele mesmo diz.
O parlamentar também cita algumas de suas vitórias no campo da política nos últimos anos: a reeleição com 112 mil votos em 2022; a conquista da presidência CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Assembleia Legislativa; e, claro, a eleição em Londrina.
“Neste momento, mais que um não político ou um outsider, precisávamos de um político com boa rodagem, mas jovem e da nova geração. Eu coloquei Londrina no destaque nacional, porque sou eu e o Eduardo Pimentel [prefeito eleito de Curitiba], no tripé Ratinho Junior”, afirma o prefeito eleito. “Daqui para frente, são dois anos para surfar essa onda muito forte e ter a força do governador Ratinho Junior, tendo essas duas cidades como modelo de gestão para o Brasil todo.”
Confira a entrevista com Tiago Amaral:
Qual será seu primeiro ato como prefeito? Quais serão suas prioridades?
O ato simbólico eu ainda não defini, mas tenho três prioridades. A primeira é a saúde. Entrar com um processo de reorganização do sistema de saúde, viabilizando as [cirurgias] eletivas, quero operar e quero que as pessoas consigam ser atendidas, fazendo grandes exames e reorganizando a Atenção Básica. A segunda são os moradores de rua, é uma questão de honra e de impacto imediato, um choque de ordem no centro da cidade. Já deixo claro que nós não somos mais a capital do morador de rua, isso é inaceitável. Quem quiser trabalhar, fica, quem não quiser, tem que entender que já pode procurar seu caminho, porque não terá vida fácil aqui. Quem quiser trabalhar, vai ter o acolhimento, vai ser recebido, não vai ter cidade melhor para atender às pessoas que estão em situação de necessidade, mas desde que elas queiram ter um futuro. E a terceira prioridade é a reorganização da administração municipal, trazer uma nova dinâmica, oxigenar a gestão, simplificar os processos.
O senhor fala em aproveitar os últimos dois anos da gestão Ratinho Junior. Qual é a principal obra, ou projeto, que depende do governo estadual para sair do papel?
Não tenho a definição de principal obra, estou montando agora nosso time para fazermos justamente esse debate. Temos obras estruturantes, de infraestrutura, que vamos precisar [de parcerias], e alguns investimentos, como a revitalização dos espaços públicos da cidade. Quero buscar parcerias com o próprio governador. Os grandes parques que eu quero fazer, como o parque linear do Lago Igapó, provavelmente vamos buscar recursos estaduais. Não consigo dizer qual será a obra mais importante, porque, em Londrina, não temos só obras importantes, temos trabalhos importantes para recuperar um pouco esse tempo perdido, até em relação à qualidade de vida das pessoas, que para mim está caindo de forma assustadora.
Atualmente, Prefeitura aposta no modelo de Cidades Industriais para a industrialização. O senhor manterá esse projeto ou terá outra estratégia?
Se em oito anos esse foi o primeiro e único projeto, e não gerou nenhum emprego, é claro que não é um modelo que está dando certo, pelo menos nas mãos de quem está aí. Nós não vamos mudar, agora, a estratégia de Cidade Industrial, vamos concluir aquela e podemos pensar. Eu estou preocupado com o que vamos fazer além daquilo. Nós precisamos fazer, rapidamente, até nos debates do Plano Diretor, algumas questões estratégicas que vamos dar prioridade para deixar claro quais são as áreas de investimento que a cidade quer, que vai ser ao longo da PR-445 e da [avenida] Saul Elkind, no sentido para Cambé, duas áreas estratégicas. Eu quero que os investimentos venham fortemente da iniciativa privada. Essa reorganização do município vai me dar a dinâmica para reduzir o tempo de liberação de alvará e autorização para construção e liberação de empreendimentos, para que os investimentos parem de sair de Londrina. Então, na sequência, a partir desta semana, muito provavelmente eu já começo a dar alguma sinalização, algum recado que eu vou mandar para os investidores londrinenses em relação a temas como esse.
Sobre o Plano Diretor, a sua equipe de transição pode participar desse processo da Câmara? Algumas leis complementares serão votadas ainda este ano.
Não tem como eu esperar a transição ou esperar o ano que vem. Nós vamos imediatamente começar a debater. Mas, essa é uma reunião que eu quero ter com o presidente da Câmara [Emanoel Gomes] e com os atuais vereadores que compõem, digamos, a nossa base atualmente, para termos esse debate com eles. E também com as entidades, com o setor produtivo. Eu sei que ali temos algumas pessoas que estarão com a gente no processo de transição, que fizeram parte desse grande debate. Então, eu vou ouvi-las para ver qual é a impressão que elas têm. Não dá para a gente passar qualquer coisa mais, porque senão temos que ficar corrigindo [a legislação]. Eu vou respeitar o que está acontecendo, entendo que a minha gestão começa a partir de 1º de janeiro, mas, ao mesmo tempo, o que eu puder ir participando junto, eu vou fazer. Se eu puder ter esse alinhamento com a Prefeitura, muito bem; se eu não tiver com a Prefeitura, eu vou ter com a Câmara de Vereadores.
O senhor já teve alguma conversa com o Marcelo Belinati?
Eu tenho que ligar para ele. Não consegui falar com ele para dar atenção para a nossa imprensa, mas eu vou ligar provavelmente saindo daqui, para marcar uma agenda esta semana ainda.
Tem uma definição da sua equipe de transição?
Ainda não. Mas, até quarta-feira (30) eu devo ter.
Secretariado também?
Não, sem qualquer indicativo.
Alguns de seus apoiadores, como os deputados federais Filipe Barros e Luísa Canziani, o secretário estadual de Inovação, Alex Canziani, e o ex-prefeito Alexandre Kireeff vão participar da escolha dos secretários?
A escolha é minha. Eles podem participar da discussão, vamos ouvir, eu sou um cara que ouço muito. Não tenho nenhuma disposição de ser dono da razão em absolutamente tudo. E eu sei que o meu jeito de decidir é ouvindo algumas pessoas, mas a escolha é minha.
O que fazer para melhorar a estrutura da Fundação de Esportes de Londrina?
Nós precisamos aumentar o número de profissionais de educação física, porque acho que temos seis profissionais lá. Obviamente, não dá para fazer esporte de base com seis profissionais de educação física em uma cidade de 600 mil habitantes. Então, a gente tem aí o projeto da Escola Olímpica e vamos utilizar muito o esporte como modelo das escolas em tempo integral. O investimento nosso vai ter que ser muito grande em relação à parte esportiva, até a contratação de profissionais, aí vamos ver se a gente contrata isso em qual das estruturas, mas o fato é que nós vamos precisar de muitos profissionais de esporte para fazer aquilo que a gente espera, que é realmente devolver a Londrina a sua pujança esportiva.
Como ficará o Estádio do Café, já que o Londrina pretende usar o estádio Vitorino Gonçalves Dias?
Eu vou marcar uma conversa com o [Guilherme] Bellintani [dono da SAF LEC] em relação a isso, porque com certeza eu não serei o prefeito que vai dizer que o Estádio do Café não vai ser utilizado. Ele parado lá, do jeito que está, para mim é um absurdo, não tem lógica nenhuma um projeto extraordinário que mostra a grandiosidade de Londrina ser deixado de lado. Eu entendo a baixa quantidade de espectadores que a gente ainda tem hoje, de torcedores no nosso campo, mas eu tenho plena convicção que, quando a gente trouxer isso como política municipal, como uma bandeira de amor à cidade e também amor ao nosso Tubarão, vamos trazer de volta o público para o estádio. Não vai ser na minha gestão que esse estádio vai acabar, muito pelo contrário.
E o Autódromo?
Muito provavelmente vamos partir com um sistema de PPP [Parceria Público-Privada], a tendência é essa, mas não está definido ainda.


