O deputado estadual Tiago de Amorim Novaes (PTB), de 31 anos, natural de Toledo (PR), solteiro, pai de uma filha, candidato a prefeito de Cascavel (na coligação PTB-PPB-PRP) atribui-se, sem cerimônia, os títulos de ‘‘fenômeno eleitoral’’ e ‘‘a maior projeção política do interior do Estado’’. Ele próprio explica o ufanismo: elegeu-se vereador (pelo PPB, em 96), com 2.742 votos, o mais votado de seu partido e o terceiro entre todos os candidatos. Em 98, Tiago foi o deputado estadual mais votado da história de Cascavel, com 43.347, dos quais 28.614 no município.
‘‘Tudo isso em apenas quatro anos, eu, um homem simples, do povo, sofrido e trabalhador’’, diz Tiago, repetindo discurso populista que lhe é permanente – ele próprio se classifica como populista. Tiago tornou-se conhecido como repórter policial (um cover de Luiz Alborghetti, o ‘‘Cadeia’’). Ele começou no rádio em 1986, em Assis Chateaubriand, onde apresentou programa sertanejo; em 1989, estava em Cascavel, já falando de polícia e bandidos. E em 1996, ganhou programa na televisão, o que lhe embalou definitivamente as pretensões políticas.
‘‘Sou mesmo um cara populista, um profissional arrojado, polêmico, mas solidário com as causas sociais’’, afirma, acrescentando não se importar de ser taxado como ‘‘aprendiz’’ de ‘‘Cadeia’’ (ou ‘‘Ratinho’’). ‘‘Afinal, são profissionais que conseguiram notoriedade’’, aponta.
Quando a Folha o convidou para esta entrevista, logo de saída Tiago questionou: ‘‘Vão me perguntar sobre aquela mentira que andaram espalhando, de que tenho envolvimento com desmanche de carro? Que mais?...’’ A reportagem avisou: ‘‘Sobre tudo.’’ Na entrevista, o candidato não se furtou a qualquer assunto.
Tiago de Amorim Novaes sempre foi classificado como ‘‘queixo-duro’’, ou seja, pessoa de agressividade verbal. Exemplo: no início do ano, chamou várias vezes (nas emissoras de rádio e televisão) o tenente-coronel Ailton Lino da Silva, que era comandante do 6º BPM de Cascavel, de ‘‘cachorro, bundão’’ e outros termos de baixo calão. Segundo ele, foi uma reação natural: ‘‘(Ele) estava mentirosamente me acusando de andar com carros com placas frias.’’ O deputado se diz o ‘‘homem da segurança pública’’, por isso teria poder de ‘‘mando’’ sobre cargos de chefia na Polícia local.
Durante algum tempo, o deputado ‘‘exigiu’’ a troca dos comandos do 6º BPM, da companhia local de Polícia Rodoviária e da 15ª SDP. Aconteceu como ele ‘‘exigia’’. Tiago é mesmo mais conhecido por sua atuação como apresentador de programa policial e pelas polêmicas em que geralmente se envolve do que pela atuação como político.
Mas ele diz ter ‘‘aprendido muito’’ e que está preparado para governar Cascavel, ‘‘auxiliado por uma grande equipe de governo’’. Tiago é apoiado pelo prefeito Salazar Barreiros (PPB), que apenas na véspera das convenções anunciou não ser candidato à reeleição.
A demora na definição fez com, na base aliada de Salazar, outros pretendentes à candidatura desistissem, por não haver tempo suficiente para articular a coligação. O PFL chegou a decidir apoio formal ao candidato oposicionista, o deputado estadual Edgar Bueno (PDT) – que se recupera de cirurgia – mas o Palácio Iguaçu pressionou contra e o partido recuou. Tiago e Bueno são os únicos eleitos por Cascavel na Assembléia Legislativa – Antonio Carlos Barater (PSDB) ocupa o cargo como suplente. O vice de Tiago é Agassiz Linhares (PRP), e o de Bueno é Leonaldo Paranhos (PMDB).

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