Tiago articula aprovação no afogadilho do ‘acúmulo salarial'
Câmara deverá votar polêmico projeto de lei em regime de urgência, após reunião do prefeito Tiago Amaral com vereadores
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de julho de 2025
Câmara deverá votar polêmico projeto de lei em regime de urgência, após reunião do prefeito Tiago Amaral com vereadores
Douglas Kuspiosz 

Após articulação do prefeito Tiago Amaral (PSD), o projeto de lei sobre o acúmulo salarial deverá ser votado às pressas, em regime de urgência, durante sessão extraordinária nesta quarta-feira (9). O tema retorna à pauta da CML (Câmara Municipal de Londrina) com um novo texto — o PL (Projeto de Lei) 204/2025 — protocolado na terça-feira (8) e que poderá ser apreciado menos de 24 horas depois. Durante a tarde, a sala de reuniões da Câmara foi isolada para o encontro entre Tiago e os 16 vereadores em exercício.
A proposta já vinha sendo discutida com forte resistência no PL 52/2025, que trata da atualização do Estatuto dos Servidores. Protocolado em março, o projeto enfrentou rejeição tanto entre parlamentares quanto em setores da sociedade civil, e acabou retirado de pauta até outubro. Entidades como o OGPL (Observatório de Gestão Pública de Londrina) se manifestaram repetidamente pela sua rejeição.
Para contornar o impasse, o Executivo recuperou o PL 52/2025 com uma emenda supressiva que retira o polêmico artigo 4º — que previa gratificação de até 90% do valor da função municipal para servidores cedidos, além do salário de origem. A supressão busca viabilizar a aprovação do restante do texto, que é aguardado pelo funcionalismo. O projeto estava previsto para ser votado durante a noite de terça, em primeiro turno.
A gestão Tiago Amaral sempre defendeu o acúmulo salarial, alegando que a medida gera economia aos cofres públicos, uma vez que o município deixa de arcar com o salário integral de secretários, cujo vencimento é de R$ 21,9 mil. Mesmo antes da aprovação, a prática já vinha sendo aplicada com pelo menos dois secretários: Leonardo Carneiro (Gestão Pública/RH) e Vivian Feijó (Saúde), ambos servidores estaduais que acumulavam o salário de origem com a gratificação paga pela Prefeitura.
O MPPR (Ministério Público do Paraná) instaurou inquérito civil para apurar os pagamentos e recomendou ao prefeito a suspensão dos repasses — medida acatada no mês passado. O entendimento do Ministério Público é que os pagamentos só podem ser realizados mediante autorização expressa em lei municipal.
ARTICULAÇÃO
A emenda supressiva foi a solução encontrada pelo Executivo para retirar o foco da polêmica e garantir a tramitação do Estatuto dos Servidores. No entanto, a discussão sobre o acúmulo salarial ocorrerá no afogadilho, em regime de urgência. O prefeito já enviou um novo projeto de lei, com alterações na proposta original: a gratificação de até 90% permanece, mas a contratação só será permitida se o ônus da cessão for assumido pelo órgão de origem do servidor.
A reunião com os vereadores movimentou os bastidores da Câmara durante toda a tarde. Uma faixa isolou a sala onde o encontro ocorreu, e os celulares recolhidos — colocados em uma bandeja do lado de fora — rapidamente viralizaram nas redes sociais.
A principal incerteza segue sendo a contagem de votos: são necessários 13, mas apenas 16 vereadores estão em exercício, já que Anne Moraes (PL), Michele Thomazinho (PL) e Jessicão (PP) estão licenciadas. Como o tema ainda enfrenta resistência, não há garantia de que o novo projeto será aprovado.
A FOLHA apurou que o setor jurídico da CML deve emitir seu parecer técnico sobre o PL 204/2025 durante esta quarta-feira, antes da sessão extraordinária, quando deverá ser discutido em primeiro turno. Se passar, pode entrar na pauta de quinta (10).
Até o fechamento deste texto, o PL 52/2025 ainda não havia sido votado em plenário.


