Thomaz Bastos ainda é o homem dos bastidores do governo
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sábado, 02 de maio de 2009
Vera Rosa<br>Agência Estado 
Brasília - Dois anos e um mês se passaram desde sua saída da Esplanada, mas até hoje ele bate ponto em Brasília quase toda semana. Ministro da Justiça de janeiro de 2003 a março de 2007, o advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos não abandonou a rotina na capital da República: foi e ainda é o homem que ajuda a livrar o governo das piores enrascadas. Discreto, ele também atua nos bastidores da cena política, auxilia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas articulações com o PSDB e o DEM, conversa com ministros, juízes e presidentes de tribunais e joga água na fervura das crises que atormentam o Palácio do Planalto.
Há oito dias, Thomaz Bastos acompanhou a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à entrevista no Hospital Sírio-Libanês, quando ela anunciou que estava em tratamento para combater um câncer no sistema linfático. Saiu de lá e foi almoçar com a amiga e o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. No cardápio, os planos do governo para Dilma, pré-candidata do PT à Presidência, em 2010.
Quarenta e oito horas depois, Thomaz Bastos já estava de volta a Brasília, onde participou, à noite, do fórum nacional dos juízes federais criminais. Saudado pelos colegas, sentou-se à mesa de autoridades junto com seu sucessor, Tarso Genro. Terminado o encontro, foi jantar com o advogado-geral da União, José Antônio Dias Toffoli. Detalhe: Toffoli é hoje o nome mais cotado para assumir uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) ainda este ano, mas enfrenta resistências.
Não há no Planalto um problema de grande impacto na seara política ou jurídica que não passe pelo ''confessionário'' do ex-ministro da Justiça. Nos últimos meses, sua atuação foi decisiva para conter a guerra de facções na Polícia Federal, escancarada com a Operação Satiagraha, que vasculhou a vida do banqueiro Daniel Dantas. Foi Thomaz Bastos, por exemplo, quem ajudou a construir o acordo que resultou na transferência do delegado Paulo Lacerda - ex-diretor-geral da PF e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) -para o cargo de adido em Lisboa.
As missões de Thomaz Bastos, porém, são tão secretas quanto os 17 volumes de um diário que ele escreveu sobre os bastidores do governo durante os quatro anos e dois meses em que ocupou a Justiça. Os cadernos, cada um deles com cerca de 200 páginas, estão guardados num cofre fora de seu escritório. ''Pretendo entregar tudo ao Arquivo Nacional, com embargo de 50 anos'', garante ele.
Quase toda semana Thomaz Bastos conversa com Lula pessoalmente ou por telefone. Quando está em Brasília, cumpre sempre o mesmo ritual: passa na sala de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente, e almoça com Dilma. O ex-ministro tornou-se amigo de Dilma logo que ela foi ''puxada'' para a Casa Civil no lugar de José Dirceu, abatido pelo escândalo do mensalão, em 2005. Na época, o titular da Justiça integrava o núcleo duro do governo - que se reunia toda segunda-feira com Lula para avaliar o cenário político e econômico - e ajudou a montar o gabinete de crise, conhecido no Planalto como ''gabinete em crise''.


