São Paulo - A gestão de Aécio Neves (PSDB) no governo de Minas Gerais e seu discurso oposicionista para a eleição de 2014 são destaques de reportagem publicada na edição desta semana da revista britânica ''The Economist''. Em texto com o título de ''o remédio de Minas'', a publicação relata a experiência do mineiro ao recuperar as contas do Estado e analisa as dificuldades dos tucanos em ganhar votos com o discurso do chamado ''choque de gestão''.
''O governo do Estado tinha 21 secretarias que foram fundidas em 15 (desde então se arrastaram de volta até 19). Neves fez um corte de 45% na folha salarial, limitando o salário do setor público e deixando 3.000 postos de trabalho não preenchidos'', conta a reportagem. A revista lembra que, com essa gestão, Aécio ganhou um segundo mandato como governador e depois conseguiu eleger o aliado Antonio Anastasia. É citado ainda uma pesquisa da consultoria Macroplan que coloca Minas como o Estado mais bem gerido do país.
''O Estado gasta mais de 8% do seu orçamento em investimento público, abaixo dos 13,2% antes da crise financeira mundial em 2008, mas acima dos 5,1% em 2003. A pobreza caiu mais rápido do que no Brasil como um todo. Minas tem as escolas com melhor desempenho e vem em quarto lugar nos cuidados de saúde.''
''The Economist'' afirma que, por causa de seu sucesso em Minas, Aécio está perto de se tornar o candidato do PSDB à Presidência em 2014. De acordo com a revista, a gestão em Minas está em contraste ao inchaço da máquina feita pelo PT no governo federal. ''Mas o PSDB não foi capaz de transmitir a mensagem de Minas de forma eficaz. Isso permitiu ao PT deturpá-la. No ano passado, Luiz Inácio Lula da Silva, o antecessor de Dilma Rousseff, disse que um 'choque de gestão' significava demissões, cortes salariais e de negligenciar os pobres.''
Para a revista, Dilma está preparada para a eleição, enquanto a oposição soa, muitas vezes, petulante e elitista. A reportagem cita, como exemplo, a crítica feita por Aécio quando o governo baixou os impostos da taxa de energia.
A publicação lembra também que, apesar do pequeno crescimento da economia, os salários estão subindo e o desemprego é baixo. Com isso, a popularidade de Dilma é alta. ''A dose do remédio de Minas pode ser boa para o Brasil. Mas ao menos que os sintomas piorem rapidamente, Neves vai ter que lutar para convencer o paciente a tomá-lo'', conclui a revista.

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