Londres - A pré-candidata à Presidência da República, senadora Marina Silva (PV-AC), tenta compensar a falta de quadro político do Partido Verde com a força ética, diz a revista ''The Economist'' na edição desta semana. ''De vez em quando, surge um político que parece ter muitos princípios para ser jogado na briga canina eleitoral'', diz a publicação, acrescentando que Marina ''parece ser uma candidata desse tipo''. A publicação inglesa apresenta Marina como ''outra Silva'' e menciona sua história no Acre e na campanha ambiental ao lado de Chico Mendes. Uma ''origem modesta'', assim como a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A revista também lembra que Marina perdeu disputas quando era ministra do Meio Ambiente do governo Lula, referentes à soja transgênica, construção da BR-163 na Amazônia e energia nuclear. Ela foi acusada de preencher seu ministério com ''verdes'', fato que admite, e com evangélicos, o que nega, segundo a ''The Economist''.
Marina deixou o governo em 2008, após Lula destinar ao então ministro da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, a coordenação do Plano Amazônia Sustentável. ''Ela se negou a criticar Lula publicamente.'' Na campanha presidencial, Marina faz uma crítica implícita ao presidente, diz a ''The Economist'', ao afirmar que o País precisa reduzir a carga tributária e não deve abraçar tiranos, referindo-se a Fidel Castro. O principal tema de sua campanha é que o Brasil tem a responsabilidade moral de se tornar uma economia de alta tecnologia e baixa emissão de carbono, como um exemplo para outros países em desenvolvimento.
A revista traz também reportagem sobre a polêmica envolvendo a Usina de Belo Monte, no rio Xingu. O consórcio liderado pela Chesf venceu o leilão realizado nesta semana para a construção da hidrelétrica. Os vencedores, diz a publicação, celebraram de forma quieta e rápida, algo compreensível diante dos protestos gerados pelo leilão - inclusive com três toneladas de esterco colocadas do lado de fora da Aneel.
A revista lembra que Belo Monte é uma peça central do ambicioso programa de infraestrutura do Brasil, uma bandeira de Dilma Rousseff, que enfrenta difícil disputa na campanha presidencial com José Serra. ''Mas com a economia posicionada para crescer até 7% neste ano e dezenas de milhões de brasileiros consumindo mais depois de saírem da pobreza, investir em geração de energia é essencial'', diz a ''The Economist''. ''Sem Belo Monte, o Brasil provavelmente teria de construir usinas nucleares ou investir em energia térmica a carvão. E então os protestos seriam, sem dúvida, maiores.''

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