O prefeito de Campo Mourão, Tauillo Tezelli (PSDB), quer a participação da iniciativa privada em obras de infra-estrutura para o município. O objetivo é fazer com que empresas particulares consigam empréstimos para executar obras como a nova rodoviária e até mesmo um novo paço municipal, além de asfalto. ‘‘Com isso, poderíamos nos dedicar mais às obras sociais’’, explica Tezelli. O terreno para a rodoviária, por exemplo, chegou a ser terraplanado há dois anos, mas o município não conseguiu recursos e a obra não saiu.
‘‘Se a iniciativa privada conseguir financiamento para obras desse tipo, poderemos usar toda nossa capacidade de endividamento para atender o social’’, salienta o prefeito. Atualmente, Campo Mourão tem uma capacidade de endividamento de R$ 4,5 milhões e Tezelli não quer comprometê-las com obras consideradas necessárias, mas não priorizadas pela população. ‘‘Nossos primeiros 90 dias foram dedicados justamente para transformar em projetos aquilo que os moradores pediram’’, frisa.
O próximo passo é o mais difícil: buscar os recursos junto ao governo do Estado. Tezelli, no entanto, está confiante. ‘‘Estamos sendo muito bem recebidos em todas as secretarias. Ao contrário de seu antecessor, Rubens Bueno (PSDB), que apostava em verbas do governo federal, Tezelli prefere acreditar em Curitiba. De Brasília, espera apenas novas parcelas para conclusão do anel viário. ‘‘É a única obra que está prevista para Campo Mourão no orçamento da União’’, ressalta.
Nos primeiros três meses de trabalho, Tezelli redividiu os mais de 50 bairros da cidade em sete regiões. A finalidade é evitar obras do mesmo setor próximas demais umas das outras. ‘‘Bairros vizinhos reivindicavam a mesma coisa’’, explica. No Jardim Bandeirantes, por exemplo, os moradores priorizaram uma escola, mas ela já existe no Jardim Alvorada, que fica ao lado. O prefeito também aposta na Agência de Desenvolvimento (AD) Cidade Pólo para atração de investimentos.
‘‘A agência vai envolver toda a comunidade em projetos de interesse da própria comunidade’’, frisa Tezelli. Uma das tarefas da AD, que foi pioneira no Estado, será convencer as pessoas da cidade a investirem na própria cidade. ‘‘Trazer investimentos de fora é mais difícil’’, acredita o prefeito. Mesmo assim, ele corre atrás de novas empresas. Recentemente, esteve no interior do Rio Grande do Sul acertando detalhes para a instalação de uma agroindústria.
Se, por um lado, Tezelli não reclama de dívidas, por outro, queixa-se da queda da arrecadação. Somente com os repasses do ICMS, Campo Mourão está recebendo 10% a menos do que recebia até o ano passado. Resultado: em fevereiro, a prefeitura arrecadou R$ 1,4 milhão, R$ 200 mil a menos que o arrecadado no mesmo período do ano passado. ‘‘Precisamos ver se essa tendência vai continuar’’, conta. Enquanto isso, a ordem é conter despesas.
Cada secretaria tem uma verba fixada mensalmente para gastar. Para ajudar na contenção, a maioria dos cargos comissionados foi preenchida por servidores de carreira. ‘‘Isso evita um segundo salário’’, salienta o prefeito. Dos 13 secretários municipais, por exemplo, quatro são de servidores concursados. A proporção aumenta a partir do segundo escalão. Na Secretaria do Planejamento há apenas um cargo comissionado que não é ocupado por funcionário de carreira.
Graças à queda na arrecadação e à implantação do novo plano de cargos e salários, no entanto, Tezelli dificilmente vai poder dar reajustes aos servidores. A data-base venceu o mês passado, mas ele pediu mais prazo para estudar o assunto. A folha de pagamento da prefeitura é de R$ 950 mil e subiu 16% com o plano em vigor desde fevereiro. ‘‘São R$ 1,5 milhão a mais por ano’’, destaca o prefeito. ‘‘Eram recursos que tínhamos para investimentos’’.

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