O prefeito de Campo Mourão, Tauillo Tezelli (PSDB), criticou a forma como o governo do Estado vem conduzindo o processo de privatização da Sanepar. ‘‘Como querem vender a Sanepar se o principal patrimônio da empresa são as concessões dos municípios para a exploração dos serviços de abastecimento de água e coleta de tratamento de esgoto?’, indaga.
‘‘Não entendo porque até agora os municípios foram deixados de lado’’, diz. ‘‘Ouvimos dizer que está sendo vendido isso e aquilo, mas ficamos totalmente alheio ao processo’’. Uma das coisas que o prefeito de Campo Mourão quer saber é como vai funcionar a Sanepar após a privatização. ‘‘Não fomos informados de nada’’, reclama.
Tezelli também acha que os municípios podem ter direito a receber alguma coisa pela venda da companhia de saneamento do Estado. ‘‘Muitos investimentos foram feitos em parcerias com o governo federal e com contrapartidas das prefeituras’’, destaca. ‘‘Além disso, do que adianta toda a estrutura implantada na cidade sem a concessão do município? Será que a concessão não vale nada?’, completa.
Em Campo Mourão, a Sanepar tem concessão para explorar os serviços até 2036. O contrato iria até 2004, mas foi prorrogado quando a Sanepar iniciou novos investimentos na cidade. Tezelli lembra que a concessão dá à Sanepar isenção de todos os impostos municipais, mas a prefeitura não recebe o mesmo tratamento.
Tezelli é o segundo prefeito a questionar a venda da companhia. O prefeito de Londrina, Antônio Belinati (sem partido), disse que pode impedir a venda da Sanepar porque o contrato da empresa com a prefeitura impede que o controle acionário dela seja vendido sem a autorização do município. O contrato foi assinado há 25 anos, quando o prefeito de Londrina era José Richa. ‘‘Essa cláusula não existe no nosso contrato’’, frisa Tezelli.

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