Texto pode ser mudado para livrar banco
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quarta-feira, 16 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
As pressões para mudanças no relatório final do senador Roberto Requião (PMDB-PR) intensificaram-se ontem. O senador Ney Suassuna (PMDB-PB), um dos integrantes da CPI dos Títulos Públicos, quer retirar a acusação feita ao presidente e vice-presidente do Bradesco, Lázaro Brandão e Ageo Silva, de terem cometido crime de formação de quadrilha. Não estou dizendo que eles sejam inocentes, mas o enquadramento dos dois nesse crime é muito forte, disse Suassuna.
O senador da Paraíba informou que caberá ao senador José Agripino Maia (PFL-RN) apresentar uma proposta para suprimir esse trecho do relatório. Suassuna disse que essa proposta conta com o apoio de uns cinco ou seis senadores. Além desse caso, afirmou que acha uma injustiça o relatório final de Roberto Requião ter incluído o nome do ex-governador de São Paulo Antônio Fleury Filho (PMDB) sem tê-lo ouvido.
O relatório final de Roberto Requião está dividindo os integrantes da CPI dos Títulos Públicos. Sei que tem uma corrente que quer emendar o relatório e outra que quer aprovar do jeito que está, reconheceu ontem o presidente em exercício da CPI, senador Geraldo Mello (PSDB-RN). Vou ser o juiz dessa questão e certamente terei que descascar o abacaxi, disse.
Geraldo Mello explicou que a questão delicada que está no centro da crise é a possibilidade ou não do relatório sofrer emendas. O regimento interno do Senado não faz qualquer referência à possibilidade de emendas. O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), deixou claro ontem a sua posição. Relatório pode mudar sim, afirmou. Tudo faz crer que se aproveite o relatório do senador Requião e se faça algumas emendas até com sua concordância, acrescentou.
O presidente em exercício da CPI também acha que os senadores poderão fazer emendas. O regimento não proíbe as emendas, apenas não diz nada, afirmou. Ao anunciar que vai aceitar colocar em votação as emendas, Geraldo Mello disse que sua decisão está baseada em precedentes abertos por outras CPIs do passado, como a do Orçamento.
O senador Vilson Kleinubing (PFL-SC), que assinou o relatório final com o relator Roberto Requião, disse ontem que as pressões para a mudanças no texto partem dos mesmos políticos que tiveram a oportunidade de comparecer à CPI para rebater os fatos apurados e preferiram se omitir. Para Kleinubing, essas pessoas agora querem mudar o relatório. Mas vou lutar para que eles não desfigurem o texto, disse.
A defesa de Paulo Maluf recebeu ontem a adesão do senador Esperidião Amin (PPB-SC), que é presidente nacional do partido do ex-prefeito de São Paulo. O relatório final de Requião acusa Maluf de ter sido omisso por não ter tomado as providências devidas quando estourou a denúncia de que uma operação com títulos públicos feita pelo ex-secretário de Finanças e atual prefeito Celso Pitta tinha causado prejuízos aos cofres municipais.
Amin acha que o relatório não pode acusar Maluf de omissão e enquadrá-lo em crime de prevaricação porque a Prefeitura só tomou conhecimento do relatório do Banco Central (BC) sobre as operações danosas em abril deste ano. No ano passado o que houve foi uma denúncia publicada pelo Jornal da Tarde e que o Banco Central não assumiu formal e publicamente, afirmou.
Durante os trabalhos da CPI, o BC enviou ao relator documentos confirmando as irregularidades ocorridas nas operações patrocinadas pela prefeitura de São Paulo. O senador por Santa Catarina acredita que o relatório de Requião será aperfeiçoado pelos demais integrantes da CPI. Esperidião Amin disse que esse aperfeiçoamento será feito por consenso. Até as 18h40, a leitura do relatório não havia sido iniciada porque os senadores votavam, em plenário, a lei que cria a agência nacional do petróleo.


