Teto salarial cai por pressão do lobby dos aposentados
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quinta-feira, 03 de abril de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - O recuo do governo ao aceitar a derrubada do teto de R$ 10.800,00 para quem acumula salário e aposentadoria, na negociação para tentar aprovar a reforma administrativa na Câmara, quarta-feira, revelou a força da bancada dos aposentados. A votação foi adiada para a semana que vem. O lobby dos parlamentares foi reforçado por promotores, juízes, oficiais da Polícia Militar e fiscais da Receita Federal.
Ninguém tem a conta exata de quantos são os beneficiados, dentro do Congresso, com a criação de um segundo teto. Mas alguns deputados assumiram claramente o lobby para proteger o bolso de mais de uma centena de parlamentares que ganham acima do teto proposto no relatório do deputado Moreira Franco (PMDB-RJ), pretendido pelo governo.
Os deputados José Luiz Clerot (PMDB-PB), Jair Soares (PFL-RS) e Nilson Gibson (PSB-PE) estiveram à frente das pressões para derrubar o teto do relatório. Aposentado como ex-procurador de Estado, Gibson avisou aos líderes governistas que não havia hipótese de a reforma passar, sem que a bancada dos aposentados fosse atendida.
O governo encontrou resistência dentro de seu próprio partido, o PSDB. O deputado Luiz Máximo (PSDB-SP), era um dos que optariam pela abstenção para derrubar o teto. Além do salário de R$ 8.000,00 que recebe como deputado, Máximo acumula duas aposentadorias, uma como ex-deputado estadual e outra como ex-promotor.
No meio da sessão tumultuada de quarta-feira, o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), foi procurado pelos pefelistas José Carlos Aleluia (BA) e Sarney Filho (MA). Os dois avisaram ao líder que a desconfiança com o governo era generalizada entre os descontentes e não havia clima para votação. Sarney Filho defendia os interesses do pai, senador José Sarney (PMDB-AP), que acumula aposentadoria de ex-governador e ex-servidor do Maranhão.


