Quanto dinheiro é necessário para eleger um vereador? O debate é amplo e mesmo entre os partidos políticos há opiniões divergentes. Com intuito de promover eleições mais equilibradas, o ''Fórum Pés Vermelhos - Londrina Ética'', formado por representantes da sociedade, propôs esta semana que os partidos delimitem um teto único para gastos com campanhas de vereadores. A sugestão do fórum é que cada candidato à Câmara Municipal não ultrapasse os R$ 50 mil nesse período pré-eleitoral.
O vereador e presidente do diretório municipal do PSDB em Londrina, Tercílio Turini, apontou que ''é um teto bom''. Segundo ele, com esse dinheiro é possível fazer uma campanha com qualidade e dentro do que manda a lei. Entretanto, ele ponderou: ''Não acredito que todos os candidatos tenham condições de gastar esse dinheiro''. O vereador acrescentou que, se não há um limite, há veredores que gastam demais. ''Concordo com o teto. Quanto mais nivelar a questão do gasto, mais a campanha ficará igual para todos'', considerou.
Com três mandatos consecutivos, Turini comentou que quem já possui uma base eleitoral não precisa gastar tanto. Ele observou que há muitos gastos com propaganda, cabos eleitorais, panfletos, cartazes, etc, para se tornar conhecido. ''O bom é contar com aquele cabo eleitoral que é voluntário'', destacou. O vereador lembrou que nas últimas eleições cada cabo ganhava o equivalente a um salário mínimo por mês e recebia também todos os direitos trabalhistas. Entre as propagandas, Turini contabiliza que cada outdoor custa, em média, R$ 300 para 15 dias de exposição.
O presidente do PMDB na cidade, Miguel Alves Pereira, comentou que a maioria dos vereadores gasta muito menos que o teto sugerido. ''A maioria que fala que gasta muito, mente. Nas últimas eleições o PMDB estipulou um teto de R$ 30 mil'', informou. Pereira observou que a lei deixa brechas para os candidatos não informarem o quanto gastaram, abrindo espaço para se descumprir um eventual teto. Mas ele acrescentou: ''Se alguém fiscalizar e descobrir que o candidato gastou mais, ele fica passível de penalidades''.
Para o pemedebista, mesmo com o teto, quem tem mais acaba sendo beneficiado. ''A legislação federal teria que arrumar uma maneira de equalizar isso. Sou favorável ao financiamento público para campanha'', afirmou. De acordo com ele, os gastos mais expressivos no período eleitoral ficam por conta de combustível e material impresso com qualidade média. Sobre o possível teto, Miguel Pereira declarou: ''Vamos respeitar a legislação. No edital de convocação do partido não tem esse assunto para debate''.
Avesso ao teto, o presidente do PP, vereador Renato Araújo, defendeu que o mais importante é possuir um reduto eleitoral. ''Se o vereador não tiver reduto e trabalho, nem que tiver R$ 1 milhão consegue se eleger'', justificou. O vereador, que já cumpriu sete mandatos na Câmara, afirmou nunca ter gastado dinheiro em campanhas. ''Política não se faz assim'', ensinou.
Araújo informou que o PP deve disputar a Câmara com 10 candidatos e que o partido não possui dinheiro para a campanha. ''Dizemos para ele que tem que gastar sola de sapato onde ele é conhecido. O partido vai disponibilizar santinho, é esse o material'', resumiu. ''Com todo respeito ao movimento (''Pés Vemelhos''), isso (teto) é fantasia porque não dá para anotar o que cada um gasta, o sanduíche que o vereador comeu. Eles estão querendo é aparecer'', atacou. Para Araújo, cabe à Justiça Eleitoral fiscalizar possíveis exageros de campanha.
O presidente municipal do PT, Jacks Dias, foi mais ''político''. ''É louvável a iniciativa, mas a legislação já estabelece que cada partido precisa definir na coligação um teto e colocar em ata'', explicou. Ele informou que nas últimas eleições o teto foi de R$ 30 mil, mas ''teve candidato que não gastou nem 10% disso''. Ele admitiu que quem gastou menos não se elegeu.

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