Testemunho de jornalista aguardado com expectativa
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de fevereiro de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba O depoimento do jornalista Giovani Pinto Welp, uma das principais testemunhas do assassinato do presidente do PCdoB de Reserva (98 km ao norte de Ponta Grossa), Nelson Renato Vosniak, pode acontecer já na próxima segunda-feira e deverá contribuir com informações decisivas ao caso, de acordo com o advogado da família de Vosniak, Luiz Carlos Bortoletto. O crime aconteceu no dia 15 de janeiro.
O jornalista, que era um dos três ocupantes do carro de Vosniak no momento do crime, levou três tiros e ficou mais de 10 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). De acordo com Bortoletto, mesmo com dificuldades para falar, Giovani não está mais internado e já estaria sob condições de prestar depoimento. ''É possível que ele fale sobre ameaças sofridas antes do crime'', disse. O testemunho, portanto, acrescentaria novidades ao caso e poderia mudar a situação do assassino confesso, o presidente da Câmara de Reserva, Flávio Hornung Neto (PMDB), que na segunda-feira teve pedido de habeas-corpus concedido pelo desembargador do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, Jesus Sarrão.
''Tentamos hoje (ontem) derrubar a liminar do TJ, mas há dificuldade em alterar o quadro até que tenha alguma novidade'', informou o advogado. A justificativa do TJ era de que Hornung ''estaria a sofrer constrangimento ilegal em face de prisão cautelar decretada em seu desfavor'', conforme despacho do desembargador, que se referia também a uma ''possibilidade de descontrole dos ânimos'' da população local. Além disso, o desembargador afirma no despacho que a prisão preventiva do vereador, decretada pelo delegado de Reserva, Wallace Brito, está fundamentada no ''clamor público'', hipótese que não autoriza a medida excepcional da custódia cautelar. O desembargador também cita o fato de Hornung ter se apresentado à polícia entregando a suposta arma do crime, ser primário, ter residência no município e profissão definida.
Hornung esteve na delegacia ontem pela manhã, acompanhado do seu advogado, Carlos Umberto Fernandes, para prestar depoimento complementar. Conforme informou Fernandes, o vereador também pediu ontem licença do cargo na Câmara. O afastamento poderá durar até 120 dias.
Segundo a escrivã Mavilde Pereira Corrêa, da delegacia de Reserva, o depoimento de Giovani é importante para a conclusão do inquérito. ''Praticamente só falta ouvir o testemunho dele. A partir daí, com a finalização dos laudos técnicos, as investigações devem acabar daqui uns 10 dias'', informou. O laudo mais aguardado, de acordo com ela, é o do confronto balístico entre a arma apresentada pelo assassino à polícia e a cápsula recolhida perto da vítima. Uma substância estranha econtrada dentro de um plástico, semelhante à ''cola de sapateiro'', conforme contou Mavilde, uma arma velha e uma seringa sem uso, encontradas dentro do carro de Vosniak, também foram encaminhadas à análise técnica.
Maria Fabiane Zampieri, viúva de Vosniak, está organizando uma manifestação para sensibilizar os vereadores na primeira sessão legislativa do ano, 16 de fevereiro, quando será decidido sobre a cassação de Hornung. ''A prioridade é derrubar a liminar referente ao habeas-corpus, depois vamos chamar todos os amigos para protestar na Câmara'', disse. Segundo ela, existe uma pressão por parte de lideranças políticas da cidade para que Hornung não seja cassado.


