Um contador e uma funcionária de uma empresa envolvida em acordos de corrupção denunciados pela quarta fase da Operação Publicano afirmaram ontem, em depoimento ao juiz Juliano Nanuncio, titular da 3ª Vara Criminal, que não tiveram contado direto com os fatos criminosos apontados na denúncia do Ministério Público (MP), que apura a existência de uma organização criminosa que atuava na Receita Estadual de Londrina. Os dois são as únicas testemunhas de acusação que residem em Londrina. Uma terceira acabou sendo dispensada pela promotora que conduz as audiências, Leila Shimiti.
"Essas duas pessoas trabalham nas empresas envolvidas em fatos denunciados e dizem que não tiveram contato direto com os fatos objeto da denúncia", declarou Leila. Entretanto, segundo a promotora, este processo tem provas documentais, como planilha elaborada pelo principal delator da Publicano, Luiz Antonio de Souza, na qual ele anotava todos os valores de propina, quem pagou e quem recebeu. Além disso, vários empresários que pagaram propinas firmaram acordo de delação premiada com o MP e, ao serem interrogados, devem confirmar os supostos crimes.
Ontem foi o primeiro dia de audiências da Publicano 4. A sessão foi realizada em uma sala no andar térreo do Fórum Criminal e faltou espaço para tantos advogados, afinal, são 110 réus, sendo 47 auditores fiscais. Eles são acusados de 103 fatos criminosos, sendo 53 fatos de corrupção passiva tributária; 43 fatos de corrupção ativa; quatro de falsidade ideológica; e dois de concussão; além do crime de formação de organização criminosa.
O período de instrução vai até março, perfazendo 27 dias úteis, e até lá devem ser ouvidas 189 testemunhas de defesa e 66 réus que moram em Londrina. Dezenas de cartas precatórias foram expedidas a comarcas onde residem outras testemunhas e réus. A próxima audiência será na segunda-feira. Vinte testemunhas de defesa foram convocadas.

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