Brasília - Ninguém compareceu à primeira oitiva das testemunhas convidadas para depor no processo de quebra de decoro parlamentar contra o deputado André Vargas (sem partido-PR) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Dos oito chamados pelo relator Júlio Delgado (PSB-MG), apenas dois confirmaram que vão depor: o doleiro Alberto Youssef, preso no Paraná e que prestará esclarecimentos via videoconferência no dia 1º de julho, e o dono do jatinho que o doleiro cedeu para Vargas, o empresário Bernardo Tosto, que responderá por escrito.

Delgado reclamou que um acordo foi firmado com a liderança do PT para que os deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP), o líder Vicentinho (SP) e o presidente nacional da sigla, deputado Rui Falcão (SP), comparecessem ontem. Dos três petistas, apenas Vaccarezza comunicou oficialmente que não estaria presente na reunião. Os demais não responderam aos convites encaminhados no dia 3 de junho. "O não comparecimento é a demonstração de que tem alguma coisa errada", concluiu o relator.

As testemunhas devem receber nos próximos dias uma notificação para comparecerem no Conselho de Ética. Se não atenderem ao segundo convite, o regimento permite que o relator dispense a oitiva das testemunhas. Diferentemente de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), o Conselho de Ética não tem poder de convocação e deve limitar as notificações a simples convites. Além das testemunhas do relator, outras oito foram arroladas por Vargas, entre elas o doleiro preso. "A contaminação eleitoral não será para mim, será contra eles", destacou Delgado, referindo-se à ausência dos petistas ontem.

Em pleno recesso informal devido à Copa do Mundo, apenas três membros do colegiado compareceram à reunião, além do relator e do presidente, deputado Ricardo Izar (PSD-SP). Vargas foi representado pelos seus advogados Marcos Gusmão e Michel Saliba. Além de Youssef, a defesa apresentou como testemunhas o prefeito de Pitanga (Centro-Sul do Paraná), Altair José Zampier (PR); o prefeito de Apucarana (Norte), Beto Preto; o deputado estadual Ênio Verri (PT); a chefe de gabinete de Vargas, Cleide Amorim; o empresário Roberto Vezozzo; o advogado Luiz Gustavo Rodrigues Flores; e o prefeito de Alvorada do Sul (Região Metropolitana de Londrina), João Carlos Peres (PDT).

Mesmo cientes de que medidas judiciais podem atrapalhar o trâmite do processo, o objetivo do colegiado é votar o relatório até 17 de julho, último dia antes do recesso parlamentar. Delgado reafirmou a intenção de cumprir "rigorosamente" os prazos e atender assim às "cobranças da sociedade". "Não quero que passe à sociedade nenhuma impressão protelatória", disse Delgado. A próxima reunião do Conselho de Ética está marcada para o dia 25 de junho.

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