Três testemunhas foram ouvidas ontem à tarde na audiência com o juiz da 40 Zona Eleitoral de Sertanópolis, Fernando Moreira Simões Júnior, sobre a notícia de inelegibilidade impetrada contra o candidato a prefeito da cidade Carlos Luiz Oporto, do PMDB. Médico e integrante da chapa ''Sertanópolis, novos rumos'' (PMDB, PPS, PTB, PL e PDT), Oporto foi citado no processo pelo funcionário público Douglas Hoffman, chefe do setor de almoxarifado da Prefeitura. Conforme os autos, a notícia de inelegibilidade foi solicitada com base em duas guias de receita médica, supostamente do posto de saúde municipal, assinadas pelo médico nos dias 6 e 7 de julho ao passo que a lei eleitoral estabelecia desincompatibilização do cargo público até o dia 30 de junho.
Nas quase duas horas de audiência, uma das testemunhas inqueridas que deporia a favor de Oporto acabou não comparecendo, já que, conforme um dos advogados da chapa, Élio Casagrande, ''não havia necessidade, com base no que as outras depuseram''. Um dos ouvidos foi o próprio Hoffman.
O juiz informou que encaminharia ainda ontem ou hoje uma notificação ao posto de saúde, deferida por ele e solicitada pelo Ministério Público (MP), solicitando informações sobre os atendimentos que teriam sido efetuados lá. ''O posto tem 48 horas para nos responder em que condições e locais eles foram efetuados. Se necessário, ouviremos na semana que vem também os dois pacientes atendidos pelo médico'', disse. Entre as informações solicitadas, comentou o juiz, está a data em que Oporto se afastou da unidade, segundo a lei complementar 64/90, determinada em três meses anteriores ao pleito.
De acordo com o advogado Casagrande, a defesa argumenta que Oporto, como médico, não poderia omitir socorro às pessoas por quem foi procurado na ocasião. Ao que o candidato acrescenta: ''Tenho provas e testemunhas de que essas pessoas foram atendidas em meu consultório particular; onde, por sinal, ainda estou atendendo'', apontou. O juiz tem até o dia 14 de agosto para proferir a sentença; se condenado, o peemedebista pode ter indeferido o registro da candidatura, mas ainda poderá recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e prosseguir em campanha.
A Folha tentou contato telefônico com Hoffman na casa dele e no setor de almoxarifado, mas ele não foi localizado. O advogado da aliança ''Sertanópolis em Boas Mãos'' (PFL, PT, PSDB, PSL e PP, com Aleocídeo Balsanelo para prefeito e Antonio Carlos Zanin para vice), Gustavo Ribeiro da Silva, negou envolvimento da chapa na notícia de inelegibilidade mas admitiu que Hoffman o procurou ''para um assessoramento jurídico''. ''Queremos que a verdade prevaleça, mas isso só as investigações vão dizer'', resumiu Silva.

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