Testemunhas depõem em ação penal contra ex-deputado
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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
O juiz da 157 Zona Eleitoral, Luis Sérgio Swiech, tomou o depoimento ontem de quatro testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) na ação penal ajuizada contra o ex-deputado estadual Antonio Carlos Salles Belinati (PP).
Conforme a ação, que cita também o ex-presidente da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU) Kakunen Kyosen, a campanha de Antonio Carlos, em 1998, teria custado R$ 900 mil a mais do que os R$ 197,5 mil declarados como despesas à Justiça Eleitoral.
Com base em um inquérito instaurado pela Polícia Federal (PF), a ação, assinada pelo promotor Cláudio Esteves, relata um sistema de anotações das receitas e despesas feito por Cassimiro Zavierucha, conhecido como Carlos Júnior, apreendido pelo MP em abril de 2000 durante as investigações do escândalo AMA-Comurb, que traria valores correspondentes à campanha de Antonio Carlos e que não constaria na prestação de contas entregue ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Entre esses valores que teriam sido omitidos, a ação destaca duas prováveis doações à campanha registradas na chamada ''lista de Zavierucha'', pelo então secretário Municipal de Fazenda Ismael Mologni, e pelo ex-presidente da Sercomtel Rubens Pavan.
A ação relata que em setembro de 1998, Mologni teria entregue a Zavierucha R$ 355 mil e Pavan, R$ 400 mil. Os R$ 755 mil, conforme denuncia o MP, teriam sido obtidos através de um empréstimo no Banestado. O MP também relaciona cerca de R$ 155 mil que constariam na lista de Zavierucha como pagamentos de serviços prestados à campanha e que não teriam sido declarados.
Perante o juiz, Zavierucha negou ontem a autoria do chamado ''livro-caixa'' da campanha. Ele declarou que somente escrevia nas planilhas as ''informações verbais'' repassadas pelo ex-diretor-administrativo da Comurb Eduardo Alonso.
Alonso refutou as declarações de Zavierucha. ''Em relação ao livro-caixa nega que tenha orientado Zavierucha a fazer os lançamentos, tampouco o depoente sabe do que se trata'', diz trecho do depoimento.
Pavan foi o único que foi ouvido na condição de informante. Ele invocou o direito de não se auto-incriminar em um depoimento devido ações correlatas que responde nas esferas cível e criminal. Ele não respondeu perguntas sobre o empréstimo.
O último a ser ouvido foi o ex-diretor-administrativo da extinta Autarquia de Meio Ambiente (Ama, hoje Sema) Nelson Kohatsu. Ele relatou apenas uma reunião em que teria sido solicitada uma ''operação'' (licitação) para pagar um empréstimo no Banestado. Kohatsu não soube informar detalhes sobre o empréstimo.
Todos declaram desconhecer o suposto empréstimo de Pavan e Mologni.
O advogado de Kyosen, Ronaldo Neves, ressaltou um ponto comum dos depoimentos. Todos relataram que a campanha de Antonio Carlos estava atrelada à de vários outros candidatos. ''Esse excesso a que se refere o Ministério Público e que corresponderia a um denominado 'caixa 2', na realidade isso muito provavelmente não tenha ocorrido. Ficou claro que foram vários os candidatos, o que prova que ocorreram despesas direcionadas ao custeio de uma campanha que atendia os interesses de todos esses candidatos e consequentemente os recursos provenientes de diversas fontes vieram desses candidato'', ponderou. Ainda deverão ser ouvidas mais quatro testemunhas de acusação.


