Depois de enviar ao delegado Alan Flore, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado), uma cópia da gravação do depoimento da principal testemunha da Operação ZR3 no final da tarde de segunda-feira (9) à Comissão Processante da Câmara, o vereador e presidente da CP, José Roque Neto (PR), ainda aguarda uma notificação para prestar esclarecimentos ao Ministério Público. Resta saber se todos os presentes na reunião realizada na última sexta-feira (6) vão ser mesmo notificados após a análise do material audiovisual.

"Se acontecer dele (delegado) notificar nós estaremos à inteira disposição, não tem segredo", afirmou Roque Neto. Segundo o delegado, com base no que relatou a testemunha Júnior Zampar, houve indícios do cometimento do crime de coação por parte das defesas dos vereadores afastados e investigados na CP, Rony Alves e Mário Takahashi, e é isto que vai ser analisado. Zampar recebeu até voz de prisão do advogado Maurício Carneiro, contratado por Alves.

Mesmo assim, a Comissão Processante instalada na Câmara para investigar a participação dos dois vereadores afastados em um suposto esquema criminoso visando aprovação de projetos de mudança de zoneamento tem um compromisso marcado para a manhã da próxima segunda-feira (16), quando 19 testemunhas podem comparecer à Casa. "Como foram indicados por eles (vereadores) a Comissão tem que acatar e, como é feito nos demais processos, nós podemos enviar tanto pelos advogados dos acusados como pela Comissão as perguntas", lembrou o presidente da CP, já que pelo menos duas testemunhas não moram em Londrina.

A defesa de Mário Takahashi arrolou dez testemunhas, dentre elas o secretário municipal de uma cidade do Mato Grosso do Sul. A defesa de Takahashi também arrolou duas pessoas ligadas ao autor da representação que deu origem à abertura da CP, o vereador Filipe Barros (PSL). São eles o ex-vereador e atual coordenador do Procon, Gustavo Richa (PSDB), e um assessor de gabinete de Barros. Filipe foi assessor parlamentar de Richa. Além do ex-presidente do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina), Nado Ribeirete, o ex-secretário de Governo, Marcelo Canhada, o presidente do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná), Rodrigo Zacaria, entre outras pessoas.

Já a defesa de Rony Alves arrolou outras nove testemunhas, dentre elas três réus da Operação ZR3: a também ex-presidente do Ippul Ignês Dequech e os empresários Wagner Fronja e Brasil Filho. Em seguida será a vez de Rony Alves e Takahashi prestarem depoimentos também aos vereadores João Martins (PSL) e Vilson Bittencourt (PSB).

mockup