Agência Estado
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Quintão, o ‘‘grande amigo’’, afirma e complica: ‘‘Sem Naya, quem vai cuidar da população carente?’Os depoimentos das cinco testemunhas de defesa do deputado Sérgio Naya (sem partido-MG) complicaram ainda mais a situação do parlamentar, em vez de ajudá-lo na luta para não ser cassado por falta de decoro. Na opinião de deputados da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), como Jarbas Lima (PPB-RS), nada salva Naya porque todos confirmaram ser do deputado a voz que aparece numa gravação dizendo ter falsificado a assinatura do governador de Minas Gerais na época, Newton Cardoso (PMDB), atual prefeito de Contagem (MG), e se apoderado de uma draga de mais de R$ 1 milhão.
Naya deverá depor hoje, a partir das 10 horas. O relator do processo de cassação, deputado Marconi Perillo (PSDB-GO), rejeitou o pedido para que Naya só comparecesse na quinta-feira. O advogado de defesa do deputado que responde ao processo de perda de mandato, Daniel Azevedo, pedira mais um dia de prazo para, segundo ele, haver tempo de a CCJ estudar o depoimento das testemunhas de defesa, além de novas fitas gravadas que estão sendo anexadas aos autos.
Das testemunhas ouvidas ontem, duas comprometeram Naya irremediavelmente, na opinião dos deputados da CCJ. O vereador Ruy Quintão, do PPB de Três Pontas (MG), disse que a população da cidade dá apoio integral a Naya porque ele distribui por lá cestas básicas, tijolos, cimento, telhas, madeira, material para creche, máquinas de costura e equipamentos hospitalares. ‘‘Sem o Sérgio Naya, quem vai cuidar da população carente?’’ indagou ele. Distribuir material para os eleitores é crime eleitoral.
Quintão declarou-se ‘‘um grande amigo e um grande admirador de Sérgio Naya’’ e disse que tinha ido à Câmara para impedir a injustiça da cassação do mandato do deputado. Mas a sinceridade dele acabou atrapalhando. Quando lhe foi perguntado se Naya usa material de segunda mão para as obras que constrói, Quintão disse: ‘‘O material de segunda que o Sérgio Naya compra é só para as casas dos pobrezinhos.’’ ‘‘Não é para os edifícios que faz’’, disse.
O ex-prefeito de Três Pontas Tadeu José de Mendonça afirmou que serviria de testemunha de defesa porque havia sido procurado por outra das defensoras de Naya, a presidente do PPB de Três Pontas, Adriene Barbosa. Mas ele se preocupou a todo momento em mostrar distância dos métodos políticos de Naya. ‘‘Não posso negar as benfeitorias que o deputado fez em Três Pontas, mas nossos métodos de trabalho são totalmente diferentes.’’ Segundo Tadeu, Naya tem uma forma de atuar, distribuindo bens para os eleitores, coisa que ele não faz.
O ex-prefeito falou também que ficou surpreso ao ver a fita com a fala de Naya ser divulgada no programa ‘‘Fantástico’’, da Rede Globo de Televisão. A gravação, segundo ele, tem dois tempos distintos. Um, em 1995, quando ainda era prefeito, durante a inauguração de um Centro de Assistência Integral à Criança (Caic). A outra, em outubro de 1997, mostra a reunião de Naya com os vereadores, na Câmara de Três Pontas, quando o deputado fez as afirmações que deram motivação ao processo de perda do mandato. Ele atribuiu este lapso de tempo a uma montagem de políticos preocupados com as questões locais. Até deu o nome de quem gravou a fita: Artêmio Schiavon, atual secretário de Obras da Prefeitura de Três Pontas. (A.E.)

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