As sete testemunhas que prestaram depoimento ontem, na primeira audiência do caso Voldemort, perante o juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, confirmaram versões anteriormente apresentadas ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investigou fraude na contratação pelo governo do Estado da oficina mecânica Providence, de propriedade de Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB) e do empresário Roberto Tsuneda.
A Providence, registrada em nome de um "laranja", ganhou um contrato de R$ 1,5 milhão, em dezembro do ano passado, para prestar serviços de manutenção da frota oficial do Estado, especialmente viaturas policiais. Em 16 de março, parte dos sete réus foram presos. Além de Abi e Tsuneda, são acusados o mecânico Ismar Ieger, "laranja" da Providence; o advogado José Carlos Lucca; o empresário Paulo Midauar; o ex-diretor do Departamento de Frota Oficial do Estado Ernani Delicato e o policial militar Ricardo Baptista.
Contratado pelo réu José Carlos Lucca (advogado que teria dado suporte à fraude) para fazer um levantamento econômico-financeiro da Providence, o contador José Wilson de Souza também acabou admitindo que era cobrado por Lucca, que dizia que o "chefe" estava com pressa. "O chefe era Luiz", acabou declarando na audiência. Seu depoimento também confirmou que a KLM, empresa da qual Abi e Tsuneda eram sócios, fez grandes aportes financeiros na Providence em 2013: os valores foram usados na reforma do prédio, instalação de equipamentos de oficina e compra de peças.
A funcionária de uma revendedora de peças também confirmou que a oficina seria, de fato, de Abi e Tsuneda. Disse que após protestar um título de R$ 4,6 mil da Providence o próprio Tsuneda compareceu pessoalmente para pagar a dívida. "Eu orientei que ele fosse ao cartório", declarou a funcionária.
"Ficou claríssimo que não só o Luiz Abi com o outro sócio (Tsuneda) eram realmente as pessoas que administravam e davam a voz de comando para todas as situações envolvendo a Providence", avaliou a promotora Leila Schimiti, ao final da audiência.

LUDIBRIADOS

Outras três testemunhas ouvidas ontem têm relação com orçamentos fraudados apresentados ao governo do Estado para justificar a contratação da Providence sem licitação. Osvaldo Lopes, dono da Automotores Centroautomotivo, disse que primeiramente foi "convidado" para participar da concorrência pelo policial militar Ricardo Baptista, a quem já conhecia há alguns anos. Disse que não tinha interesse. Posteriormente, o mecânico Ismar Ieger, testa de ferro de Abi na Providence, acabou convencendo seu sócio, Gustavo Pezarini, a assinar o orçamento fraudado. "Fomos iludidos", declarou Pezarini ao juiz.
O mecânico Daniel disse que já tinha trabalhado com Ieger, que o procurou pedindo ajuda. "Disse para eu assinar para ele ganhar uma licitação no Estado. Era um formulário e eu assinei.". As consequências vieram poucos meses depois. "Quando os policiais do Gaeco vieram para me levar prestar depoimento, achei que fosse brincadeira." Na data da operação, Queiroz foi conduzido coercitivamente ao Gaeco. "Hoje, eu estou aqui por causa dessa sem-vergonhice deles", afirmou à imprensa.
Outros dois ouvidos ontem foram policiais que trabalham no Gaeco e auxiliaram nas investigações.
Os advogados dos réus devem falar ao final de todas as audiências. Hoje serão ouvidas testemunhas de acusação e de defesa; amanhã, as de defesa; e na segunda-feira ocorrerá o interrogatório dos réus que moram em Londrina. Midauar e Delicato serão ouvidos em suas comarcas, respectivamente Bandeirantes e Curitiba.

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