Dois depoimentos tomados ontem pelo Ministério Público (MP) na investigação que apura existência de assessores-fantasmas na Câmara de Vereadores de Londrina contradisseram as versões de duas ex-assessoras do vereador afastado Osvaldo Bergamin (PMDB) sobre suposta assiduidade ao trabalho.
De acordo com os promotores Cláudio Esteves e Jorge Barreto da Costa, nas declarações prestadas pela ex-assessora Rosy Ferreira Bernardino, funcionária da rede municipal de Educação então cedida pela Prefeitura, ela apontou que trabalhava apenas à tarde no gabinete, como uma espécie de secretária, e que esporadicamente via no local de trabalho as também nomeadas Jucélia Romagnolli e Vanderléia Faria da Mota. Ambas depuseram semana passada e afirmaram realizar trabalhos de assessoria, mas admitiram não possuir mecanismos capazes de confirmar o registro de frequência. A investigação do MP começou a partir de informações preliminares e de uma gravação feita pela imprensa na qual Vanderléia se apresentava como cabeleireira e manicure praticamente em tempo integral.
''Ela (Rosy) nos disse que ficava semanas sem vê-las no gabinete - e em algumas, apareciam mais de uma vez na semana, ficavam um pouco e logo iam embora. Ou seja, contradisseram os outros depoimentos'', afirmou Barreto.
A segunda depoente do dia foi a auxiliar de Vanderléia no salão de beleza improvisado em sua residência, na Zona Oeste, Bárbara Faccio. Conforme a Promotoria, as declarações dela também contrastaram com as da ex-assessora. ''Contribui para as investigações porque ela falou que jamais tinha ouvido falar que a Vanderléia era assessora de vereador; ela sabia que o marido dela (Sérgio Sampaio da Mota, exonerado, que também depôs semana passada) era. Da Vanderléia, disse até que ficou surpresa quando viu o caso na TV'', comentou o promotor Cláudio Esteves. Os representantes do MP não adiantaram nomes, mas garantiram que mais assessores devem depor esta semana - paralelamente, outros casos semelhantes seguem sob análise da Promotoria.

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