Curitiba - O ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa (AL) Abib Miguel começou a ser julgado ontem pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro Durante o primeiro dia de audiência foram ouvidas as mesmas seis testemunhas de acusação que já haviam prestado depoimento em relação aos demais denunciados A defesa seguiu a estratégia utilizada anteriormente e requereu a dispensa de suas testemunhas por entender que ''não houve nenhum fato novo''
As testemunhas foram ouvidas em relação às denúncias envolvendo três ex-diretores da AL - além de Abib, conhecido como Bibinho, Claudio Marques da Silva e José Ary Nassif - e outras dez pessoas que supostamente participariam de um esquema de contratação de funcionários fantasmas na Casa por intermédio de Daor Afonso Marins de Oliveira
Ouvida apenas como informante por ser parente de Oliveira, Thayse Pereira Gbur confirmou que nunca trabalhou na AL, assim como seu marido e outros acusados de sua família, apesar de constar na folha de pagamento da Casa No entanto, o marido, Alessandro Gbur, também réu no processo, recebia ocasionalmente dinheiro do tio Ela também afirmou que entregou alguns documentos ao parente apontado pela acusação como intermediário do esquema para um suposto seguro
João Valmir Ongaro e Inácio Krupzack confirmaram a informação de que o denunciado Eduardo José Gbur trabalhava com eles como taxista, embora figurasse na lista de funcionários da AL
As outras três testemunhas são funcionários do Legislativo e responderam sobre procedimentos padrões de contratação, promoção e exoneração dos comissionados da Casa O procurador da AL, Marco Antonio Marconcin, e o ex-coordenador de Recursos Humanos e atual diretor de pessoal do órgão Antonio Carlos Gulbino confirmaram que todos os atos passavam, necessariamente, pela Diretoria Geral Marconcin disse não saber se Bibinho poderia ter incluído funcionários na folha de pagamento sem o conhecimento da Mesa Diretora, que deve assinar todos os atos da Casa Já Gulbino afirmou que em alguns atos não constavam assinaturas dos membros da Mesa Diretora
O diretor ainda confirmou que encontrou registros de pagamentos a funcionários que ultrapassariam o teto constitucional Ele negou que tenha sido chamado por Bibinho para nomear ''fantasmas'' Marconcin, que foi presidente de uma sindicância interna realizada na AL, disse que chegaram a levantar irregularidades, mas por ser um trabalho restrito não poderia apontar qual a responsabilidade do réu
Cléia Lucia Pereira Carazzai, que trabalha na coordenadoria de cadastro funcional da AL, confirmou a prática de deixar números de atos em branco para posterior preenchimento Ela disse que o ex-diretor de pessoal Marques da Silva tinha conhecimento de todos os atos relacionados aos comissionados e que ele receberia as ordens de seu superior, Abib Miguel

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