O desembargador da 1º Câmara Criminal de Tribunal de Justiça, Clotário Portugal Neto, negou ontem o pedido de habeas-corpus para o delegado regional do Trabalho (DRT), Celso Soares da Costa, preso desde terça-feira no Centro de Triagem de Curitiba. Costa, que foi afastado do cargo anteontem pelo Ministro do Trabalho, é acusado de fraude em uma licitação da Prefeitura de Londrina. O recurso foi feito pelo advogado de Costa, Adolfo Góis. Ele alegou que seu cliente vinha sofrendo constrangimento ilegal por parte da autoridade coatora e que possuía bons antecedentes, residência fixa e trabalho honesto.
Costa foi preso por determinação do juiz da 3 Vara Criminal de Londrina, José Marcos de Moura. No despacho judicial, Portugal Neto destacou a impossibilidade de conceder a liberdade devido aos indícios de ameaças às testemunhas. Sem se identificarem, duas delas detalharam à Folha a intimidação sofrida.
Um homem disse que começou a receber ameaças de morte anônimas e por telefone, após ter prestado depoimento ao Ministério Público (MP), que iniciou a investigação sobre falsificação de propostas e declarações nas licitações em maio do ano passado. O levantamento foi encaminhado ao MP pela auditoria municipal. ''Ele (Costa) falsificou a assinatura na minha frente'', disse ontem uma das testemunhas.
Segundo a testemunha, foram de quatro a cinco ligações anônimas feitas para seu celular, pré-pago, e por isto, sem provas registradas. Porém, de acordo com a vítima, o último telefonema foi feito por Costa. ''Ele queria saber se as ameaças tinham surtido efeito'', revelou. Em outra situação, o segundo envolvido não recebeu o mesmo tratamento. ''Costa me pediu que mudasse o depoimento na Polícia'', relembrou, mas fez questão de dizer que ''a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, ao final da conversa''.
A remoção de Costa para Londrina foi liberada ontem pelo diretor da Vara de Execuções Penais (VEP) de Curitiba, juiz-corregedor Antônio Roberto Masaro. Entretanto, conforme o superintendente do Centro de Triagem de Curitiba, Carlos Rodrigues, a família dele está tentando mantê-lo em Curitiba até o dia 13 um dia antes do interrogatório marcado pelo juiz de Londrina.
''A decisão será tomada pelo delegado-chefe (da 10 Subdivisão Policial de Londrina), Leonyl Ribeiro'', comentou Rodrigues. Há possibilidade, no entanto, de que Costa seja removido na próxima semana.

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