Testemunha pode mudar rumo do caso Zuzu Angel
O testemunho de uma pessoa muito conhecida no País, já idosa, com problemas de saúde, mas credibilidade inabalável é a esperança do deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG), da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça, para fazer com que o Estado reconheça a responsabilidade na morte da estilista Zuzu Angel. A comissão terá até 25 de março para apresentar novas provas de que Zuzu foi vítima de uma acidente forjado por integrantes da repressão. O processo foi reaberto anteontem.
A testemunha-chave, que atualmente mora no Rio, trafegava atrás do carro de Zuzu, na madrugada de 14 de abril de 1976, quando teria visto um automóvel abalroar o da estilista, na saída do Túnel Dois Irmãos, em São Conrado, no Rio. A estilista morreu no acidente. Zuzu Angel, mãe do militante político Stuart Angel Jones, torturado e assassinado na Base Aérea do Galeão em 1971, já havia dito a amigos que estava sendo ameaçada.
Zuzu lutou para recuperar o corpo do filho, supostamente jogado no mar. A luta da estilista inspirou o compositor Chico Buarque, autor da canção Angélica, em homenagem à mulher que provocou mal-estar ao regime de exceção, quando entregou dossiês sobre tortura no Brasil a personalidades internacionais, como a cantora Liza Minelli, o atual senador americano Ted Kennedy e ao então secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger.
Reabertura - O deputado Nilmário Miranda disse que o caso estava praticamente enterrado na comissão, até ser apresentado o nome da testemunha-chave, que teria visto, na madrugada de 14 de abril de 1976, um carro, com dois homens, bater no automóvel de Zuzu, como se fosse algo premeditado. É uma pessoa muito famosa, que não tem ligação com esquerda, mas, ao contrário, fazia parte do poder na época, embora não fosse militar, disse Miranda.
Em agosto, a comissão indeferiu o reconhecimento do caso Zuzu por 5 votos a 2 o de Miranda e o de Suzana Lisboa, representante das famílias dos mortos e desaparecidos). Foi muito difícil reabrir o caso, até porque os outros integrantes da comissão questionaram como testemunhas importantes foram aparecer só agora, 22 anos depois, admitiu o deputado.
Testemunha - O nome da testemunha foi levado à comissão pelo deputado José Luiz Clerot (PMDB-PB) e está sendo mantido em sigilo. Caberá ao relator do caso, Luiz Francisco Carvalho Filho, tentar convencê-la a depor. A filha de Zuzu, a jornalista Hildegard Angel, disse que conhece a testemunha, mas nunca teve qualquer relacionamento com ela. Estou muito otimista e esperançosa de que poderemos provar que minha mãe morreu em um acidente forjado pela repressão, disse Hildegard.
O nome da testemunha não será divulgado, por recomendação da própria comissão, que tentará encontrar policiais que participaram da investigação na época, entre os quais um detetive chamado Nélson Borges. A comissão também revisitará o local, para saber se seria possível a polícia chegar ali em apenas três minutos, como ocorreu na madrugada da morte de Zuzu.
O advogado da família Angel, o ex-ministro da Cultura Luiz Roberto Nascimento e Silva, disse que também tem esperanças, mas afirmou que agora a melhor estratégia é aguardar as investigações da comissão em silêncio. O general Osvaldo Pereira Gomes, representante dos militares na comissão, disse que ainda é cedo para opinar sobre a evolução do caso.(AE)





