Leandro Donatti
De Curitiba
A CPI do Narcotráfico desembarca hoje em Curitiba com a missão de investigar a participação e o envolvimento de paranaenses na rota da droga. Catorze pessoas, entre testemunhas e suspeitos, serão ouvidas a partir de hoje pelos deputados federais que integram a comissão. A CPI instala suas atividades oficialmente por volta das 11 horas, no Plenarinho da Assembléia. De olho nos holofotes, a CPI aposta no depoimento de uma testemunha-chave que, segundo o deputado federal Padre Roque (PT) tem condições de detonar o esquema das drogas no Estado.
‘‘Ela está com receio de falar. Mas se abrir o jogo, chutaremos o pau da barraca. A casa vai cair’’, prometeu ontem Padre Roque. O deputado, único do Paraná na CPI, acertava os últimos detalhes para a vinda da CPI. Passou parte do dia reunido com a CEI criada pela Assembléia para dar suporte às investigações da CPI. O presidente da CEI, Ângelo Vanhoni, vai entregar subsídios ao presidente da CPI, Magno Malta (PTB-ES).
Os nomes dos suspeitos e das testemunhas são mantidos em sigilo, por motivos de segurança. Alguns foram intimados ainda na sexta-feira. Outros, serão chamados de surpresa no decorrer dos trabalhos da CPI. A tomada dos depoimentos será aberta ao público. Entretanto, a CPI tem autonomia para realizar reuniões fechadas. O salão nobre da Assembléia está à disposição desde ontem para as sessões reservadas. Padre Roque deu apenas uma pista. Cinco dos 14 que serão ouvidos pela CPI são traficantes que estão presos já condenados por tráfico.
A expectativa em torno da vinda da CPI no Paraná cresceu nos últimos dias. Ângelo Vanhoni e o delegado do Grupo Força Especial de Repressão Antitóxicos (Fera), Adauto de Oliveira, têm batido na tecla de que a CPI vai encontrar farto material de investigação. Vanhoni disse que a CEI da Assembléia, obrigatoriamente, terá de se transformar em CPI para dar continuidade às investigações. Adauto garantiu que, de acordo com o depoimento de testemunha ouvida em Brasília, as investigações podem respingar em deputados, empresários, juízes, socialites, e filhos de famílias de classe alta.
‘‘A Conexão Paraná é mais maléfica e cruel que a Conexão Suriname’’, comparou. Roque voltou a conclamar a população a fazer denúncias à CPI, pelo 0800619619. O Fórum de Lutas por Trabalho, Terra, Cidadania e Soberania, com ao apoio do PT, da CUT e do Sindicato dos Bancários, realizou ontem no centro de Curitiba ato público de apoio às investigações. Para a entidade, a sociedade não pode ficar omissa. (Colaborou Israel Reinstein)CPI do Narcotráfico chega hoje a Curitiba e uma das 14 pessoas convocadas para depor pode implodir esquema das drogas no Estado
Kraw PenasNA BOCAOntem, um grupo de entidades fez manifesto na Boca Maldita, em Curitiba, de apoio público às investigações: ‘‘Sociedade não pode ficar omissa’’

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