O processo que investiga o desvio de R$ 196,7 milhões das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo pode atrasar cinco meses devido à dificuldade de localizar uma testemunha no exterior. José Marques – a testemunha – foi arrolado pelo juiz Nicolau dos Santos Neto para depor em sua defesa. Segundo o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho, Marques é gerente do Banco Santander de Genebra.
Nicolau é réu em duas ações criminais que tramitam pela 1ª Vara Federal. Uma delas apura irregularidades no contrato do TRT com a Incal Incorporações para construção do fórum. No outro processo, foi denunciado por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Neste caso, a principal prova contra Nicolau é a conta Nissan.
A Nissan é a senha de identificação da conta do juiz no Santander de Genebra, aberta em outubro de 1991, poucos meses antes da licitação do fórum. Em novembro de 1993, quando estava em execução o contrato do TRT com a Incal, Nicolau transferiu os ativos para a conta 51.706. O saldo atual - 7 milhões de francos, ou US$ 3,8 milhões - está congelado por determinação da Procuradoria-Geral do Cantão de Genebra.
A Nissan movimentou um volume de US$ 6, 8 milhões e, somente em 1994 foram autorizadas quatro operações de débito na conta no total de US$ 3,72 milhões. Três operações – somando US$ 1,72 milhão – foram realizadas entre 17 de março e 4 de maio daquele ano em favor da sociedade Hillside Trading, empresa de fachada situada nas Bahamas que Nicolau constituiu para adquirir apartamento de US$ 1,1 milhão na Flórida. Em 28 de novembro de 1994, Nicolau transferiu US$ 2 milhões para uma conta do antigo Banco Noroeste nas Ilhas Cayman.

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