Paulo Pegoraro
De Cascavel
Rafael Walenga, 22 anos, estaria sofrendo ameaças de policiais e de um serventuário da Justiça de Cascavel, depois de ter prestado depoimento às comissões de assembléias legislativas do Paraná e São Paulo, e da Câmara dos Deputados, que investigam o crime organizado no País. Walenga procurou ontem o Ministério Público local para relatar as ameaças. Ele chegou a citar nomes dos autores, mas o promotor Henrique César Alves Cleto considera ‘‘prematuro’’ e ‘‘desaconselhável’’ divulgá-los sem que haja comprovação de envolvimento.
Não se sabe o teor dos depoimentos que Rafael Walenga prestou às comissões, mas apenas que ele citou vários policiais civis, funcionários do Fórum de Cascavel e políticos da região, que teriam de uma ou outra forma relacionamento com o narcotráfico, roubo e desmanche de carros, contrabando de armas, mortes por encomenda e outros crimes. O rapaz disse que é sabe destes envolvidos porque já teve ‘‘problemas’’ com drogas – ele afirma estar hoje plenamente recuperado e ser um pai de família preocupado com o alastramento e impunidade do crime organizado.
Na noite de anteontem, Walenga teria sido perseguido pelas ruas da cidade por alguns carros, nos quais estariam um serventuário da Justiça e um policial civil, entre outras pessoas. Por isso, se refugiou em um prédio e a seguir chamou a Polícia Militar, que o escoltou até sua casa, em volta da qual porém os mesmos carros voltaram a circular na madrugada. Segundo o promotor Henrique Cleto, Rafael Walenga está recebendo ‘‘proteção discreta’’ da PM. Através da CPI da Assembléia Legislativa do Paraná, ele não conseguiu ser enquadrado no programa de proteção à testemunhas.

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