Afastado judicialmente do cargo de prefeito de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) desde setembro do ano passado, Luiz Francisconi Neto (PSDB) não compareceu para prestar seu depoimento na Comissão Processante na tarde desta terça-feira (8).

O motivo foi a ausência de testemunhas arroladas pela defesa. Em Rolândia, os vereadores Irineu de Paula (PSDB), Reginaldo da Silva (SD) e Edilene Griggio (PSC) investigam denúncia de desvio de recursos de um contrato firmado entre a Prefeitura de Rolândia e a empresa Somopar, e que teriam sido utilizados na campanha de reeleição de Francisconi, em 2016.

O contrato firmado com a Prefeitura foi para a utilização de um dos barracões do antigo Instituto Brasileiro do Café. Francisconi está afastado do cargo por fatos revelados na Operação Patrocínio, do Ministério Público Estadual, que apura suposto direcionamento de licitações na administração municipal.


De acordo com a defesa do prefeito, o até então senador Paulo Roberto Galvão da Rocha (PT-PA), testemunha aguardada para a oitiva desta terça, pediu para ser ouvido pessoalmente pela Comissão.

"Ele vai explicar sobre a Secretaria de Patrimônio da União, que cedeu o barracão do IBC para a Prefeitura Municipal de Rolândia, e sobre a formalização de convênios entre municípios e a União, se há interferência de parlamentares e quais as obrigações do município etc", explica o advogado Anderson Mariano, defesa de Francisconi.

A defesa, quando questionada se não haveria outra forma de os vereadores de Rolândia interrogarem o senador, afirmou que em dezembro a própria comissão e a defesa haviam encaminhado as perguntas ao parlamentar. "Ele pode responder por ofício", afirma Mariano. A reportagem da FOLHA não conseguiu localizador o senador.

Luiz Francisconi Neto assumiu o cargo em 2015, após o Tribunal Superior Eleitoral cassar o mandato do então prefeito de Rolândia, Johnny Lehmann, falecido no ano passado.

Presidente da CP

Questionado se este não seria um movimento para atrasar os trabalhos da Comissão Processante, que tem até o dia 11 de fevereiro para a entregar o relatório - se não concluir os trabalhos formalmente a denúncia é arquivada -, o vereador Irineu de Paula (PSDB) diz respeitar a ordem dos depoimentos.

"Não vou fazer uma análise técnica mas foi uma opção de defesa dos advogados do prefeito e nós tivemos todo o respeito. A primeira intimação do senador Paulo foi no dia 28 de novembro. Uma segunda intimação foi entregue a ele no dia 12 de dezembro", lembra o presidente.

Já Anderson Mariano afasta a hipótese, uma vez que a Comissão de Rolândia ainda tem mais de 30 dias para entregar o relatório que poderá indicar pela cassação do mandato de Francisconi ou o arquivamento da denúncia.

Operação Patrocínio

Em outubro, o Ministério Público denunciou 19 pessoas pelo suposto cometimento de 35 fatos criminosos, dentre eles organização criminosa, corrupção passiva e ativa. Uma operação comandada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) de Londrina resultou no afastamento de Francisconi e mais oito agentes públicos, dentre eles, secretários municipais e empresários.

Segundo o MP, dentre R$ 7 milhões em contratos firmados entre a Prefeitura e empresas terceirizadas de diversos setores, R$ 237 mil teriam sido desviados pelo grupo.

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