Testemunha de CPI é assassinada em Goiás
Edson Luiz
Agência Estado
De Brasília
O conselheiro comunitário de segurança pública de Águas Lindas de Goiás, João Elízio Lima Pessoa, foi assassinado com dois tiros na noite de segunda-feira, quando voltava para casa com a mulher, que ficou ferida. João Elízio foi uma das pessoas que denunciaram na Comissão de Direitos Humanos da Câmara a existência do esquadrão da morte no entorno de Brasília, supostamente integrado por policiais. O conselheiro também seria chamado para depor na CPI do Narcotráfico.
Segundo o deputado Nilmário Miranda (PT-MG), presidente da Comissão de Direitos Humanos, João Elízio fez as primeiras denúncias contra organizações criminosas no entorno de Brasília no ano passado. Ele era um militante comunitário e atuante defensor dos direitos humanos nos municípios goianos de Águas Lindas e Santo Antônio do Descoberto, no entorno, afirmou Miranda.
Elízio chegou a fazer um dossiê mostrando a atuação dos grupos de extermínio, que matavam, extorquiam, torturavam e cometiam outras arbitrariedades. Nas última semanas, a comissão realizou uma investigação e levantou a possibilidade de que pelo menos 100 pessoas foram assassinadas.
A comissão de Direitos Humanos da Câmara entregou as denúncias de João Elízio para o Ministério da Justiça. Segundo Nilmário Miranda, foi pedida segurança para Elízio e para o jornalista Valter Melo, proprietário do jornal O Descoberto, além de Carmen Lúcia do Amaral, presidente do Conselho Comunitário de Águas Lindas de Goiás. Os três vinham recebendo ameaças de morte. O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) esteve ontem em Águas Lindas de Goiás e deverá designar um delegado especial para apurar a morte de João Elízio.





