Testemunha contra Adelino volta a depor
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de setembro de 2001
Dimitri do Valle 
O lavrador Cícero Pedroso voltará a depor à Justiça no caso dos assassinatos de dois políticos de Mariluz (35 quilômetros a sudeste de Umuarama). Ele é esperado no dia 25, no Fórum de Barbosa Ferraz (74 km a leste de Campo Mourão). Quando Pedroso foi ouvido pela primeira vez no dia 8 de junho, a defesa do padre licenciado e prefeito cassado de Mariluz Adelino Gonçalves (PMDB) não estava presente, o que provocou o cancelamento do depoimento. Adelino é acusado de mandar matar dois aliados no final de fevereiro, esteve preso e responde ao inquérito em liberdade.
Pedroso figura como testemunha de acusação no processo. No dia 8 de março, ele compareceu à delegacia de Corumbataí e reconheceu Adelino, por meio de foto, como a pessoa que conversava com o ex-sargento da PM José Lucas Gomes, autor confesso dos tiros que mataram o vice-prefeito de Mariluz, Ayres Domingues (PPS), e o presidente municipal do partido, Carlos Alberto de Carvalho, o Carlinhos Gordo. Já na primeira vez em que falou à Justiça, Pedroso não exibiu a mesma segurança para reconhecer o padre.
Pesa ainda contra o lavrador uma gravação em que ele afirma que ''inventou'' ter visto o padre na conversa com o pistoleiro. Questionado pela Folha, que divulgou a existência da gravação em poder da defesa de Adelino no mês passado, Pedroso deu uma justificativa aparentemente confusa: ''Eu me arrependo do que vi e me arrependo de ter falado que vi. Eu fui burro. Muita gente viu o que eu vi, mas só eu não segurei a língua nos dentes. Por isso agora eu digo que não vi mais nada.''
O advogado de Adelino, Cláudio Dalledone Júnior, afirma que o lavrador foi orientado a dizer o que na verdade não viu. ''Vamos desmascará-lo. Seu testemunho foi industriado.'' O material que questiona a autenticidade do testemunho de Pedroso foi feito pelo radialista Alonso Félix dos Santos, amigo de Adelino que se passou por repórter de tevê. Num dos trechos da conversa, Santos pergunta: ''Você viu o cara?'' Ao responder, sem saber que a câmera estava ligada, Pedroso afirma: ''Eu não, eu tava inocente.''


