A juíza da 4 Vara Criminal de Londrina, Carla Pedalino, tomou ontem o depoimento de cinco testemunhas de acusação no processo em que o vereador Rodrigo Gouvêa (PRP) é acusado de ter contratado, no primeiro semestre do ano passado, uma assessora ''fantasma'' em seu gabinete, Maria Aparecida Vieira. Seis das 16 testemunhas que haviam sido arroladas pela defesa - que dispensou 10 delas - tiveram os depoimentos reagendados para o dia 19 de outubro; entre as quais, os vereadores Sandra Graça (PP) e Tito Valle (PMDB), respectivamente presidente e relator da Comissão Processante (CP) que, em maio, livrou Gouvêa de ter votado em plenário pedido de cassação.
Aparentemente surpresa para a defesa de Gouvêa, o depoimento de uma das testemunhas de acusação, o da enfermeira Regina Amancio - primeira a denunciá-lo pela suposta ''fantasma'' -, trouxe informações também do suplente do vereador, o advogado Zaqueu Berbel (PRP).
''Ela relatou ter sido procurada pelo Zaqueu, o qual teria lhe dito possuir uma sobra de campanha de R$ 100 mil da qual R$ 10 mil seria para quem tirasse o Rodrigo do cargo -, mas garantiu não ter aceitado qualquer valor'', disse o advogado de Gouvêa, Nilton Simão. De acordo com ele, ''mesmo duas testemunhas de acusação que trabalhavam no gabinete admitiram que a então assessora, ainda que não prestasse serviços internos, não era 'fantasma'''.
Indagado sobre o motivo de ter arrolado a presidente e o relator de uma CP que abrandou denúncia da Corregedoria da Casa, sobre o mesmo assunto de quebra de decoro - a CP enquadrou Gouvêa por atentado ao decoro - de pena mais branda, o advogado justificou: ''É que eles já ouviram todas as testemunhas da CP, cujos depoimentos, aliás, acostamos aos autos''.
Procurado pela FOLHA, Berbel, que ficou no posto de 29 de outubro a 1º de fevereiro, afirmou que as informações da testemunha ''são uma mentira descarada''. ''Primeiramente que só a conheci após me tornar vereador; não fiz esse tipo de oferta, não faria. Ela nem tem como provar. Mas há meses estava em um bar que frequento e essa senhora chegou, disse que não iria depor na CP e eu a chamei de falsa. Tinha bastante gente lá. Se agora quer se vingar, posso processá-la por falsidade'', disse.

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