Uma das testemunhas de defesa do prefeito afastado Antonio Belinati (PFL), Flavio Milanez Thomé, apresentou atestado médico frio para fugir do depoimento aos membros da Comissão Processante (CP) da Câmara de Vereadores, ontem de manhã. Quem teria conseguido o documento é a médica Tana Belinati Loureiro, de Curitiba, irmã de Belinati. Integrantes da comissão consideraram mais uma ‘‘manobra descarada’’ para tentar atrasar os trabalhos da CP, que apura irregularidades na publicidade do Pronto Atendimento Infantil (PAI).
Thomé, que mora em Londrina, é uma das cinco testemunhas intimadas a comparecer ontem na Câmara. Por volta das 9h30, segundo o presidente da CP, Osvaldo Bergamin (PMDB), uma mulher que se identificou como ‘‘Tatiana’’ apareceu na Câmara apresentando o atestado. ‘‘Desconfiamos porque fizemos várias perguntas e ela entrou em contradição’’, observou.
O atestado é assinado pelo médico Marco Antonio Lacerda, que trabalha no Centro Regional de Especialidade (CRE) da Kennedy, em Curitiba. Bergamin contou que telefonou para o médico e ele, a princípio, confirmou o atendimento a Thomé. ‘‘Depois, na segunda ligação, quando pedimos que ele enviasse por escrito que tinha atendido a testemunha, o médico acabou contando a verdade’’, afirmou.
Por solicitação do presidente da CP, Lacerda enviou um fax ainda ontem pela manhã. O médico afirmou que forneceu o atestado a pedido de uma colega sua, a médica cardiologista Tana Belinati Loureiro. ‘‘Ela me disse que seu ‘‘sobrinho’’ havia faltado a prova na faculdade ontem (anteontem) por estar com varicela, conforme seu exame clínico no mesmo dia. Como ela é parente do mesmo, seria melhor eu fornecer o atestado para não encrencarem na faculdade’’, relatou o médico, no fax.
Lacerda afirmou, no fax, que pretende entrar com ação ética no Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná contra Tana Belinati e informar a direção do CRE Kennedy sobre o ocorrido, ‘‘apesar de ter havido meu erro em fornecer atestado médico sem ter examinado o paciente, estando ciente da falta ética cometida.’’
Bergamin disse que pela manhã assessores do Legislativo foram até o apartamento de Thomé, mas não o encontraram. Às 15 horas, Belinati encaminhou ofício solicitando a dispensa de Thomé como testemunha, o que foi aceito pelos membros da CP. Eles decidiram ainda que na segunda-feira encaminham um ofício ao MP, solicitando providências para apurar o caso. A reportagem ligou para Curitiba, deixou recado com uma funcionária do CRE, mas os médicos não retornaram o telefonema. Thomé também foi procurado e não foi achado.
Esta não foi a primeira vez que um atestado médico é apresentado para justificar a ausência de alguém da defesa. Em maio, o depoimento do publicitário Waurides Brevilheri Júnior foi cancelado porque o advogado de Belinati, João Alberto Graça, encaminhou atestado. Logo depois, quando seria realizada a audiência das testemunhas, Graça enviou outro atestado, porque naquele dia estava sendo submetido a uma cirurgia.

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