Testa e Conselho fazem lobby em Curitiba
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quinta-feira, 09 de agosto de 2001
Valmir Denardin<br>De Curitiba 
Um dia depois do embate travado em Londrina, os dois lados da crise vivida pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) concentraram seus esforços ontem no mesmo objetivo: tentar convencer o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Warhaftig, de que estão com a razão. Warhaftig gastou a maior parte da tarde em encontros, em seu gabinete, em Curitiba, com o reitor Jackson Proença Testa e membros do Conselho Universitário.
Anteontem, durante reunião do conselho, Testa foi afastado temporariamente do cargo, e para seu lugar foi escolhido o professor Pedro Gordan. Os conselheiros tomaram a decisão depois de aprovarem o relatório da comissão de investigação, que apontou 16 indícios de irregularidades que teriam sido cometidas pela administração da UEL. Testa se negou a aceitar a decisão.
O secretário tentou ser igualitário. Recebeu os dois grupos, durante uma hora cada um. O primeiro foi o de Testa. Acompanhado de dois advogados, ele anunciou que, até o início da próxima semana, vai recorrer da decisão na Justiça.
Testa disse considerar ilegal seu afastamento. Apresentou pelo menos três argumentos: não teria sido respeitada a obrigatoriedade de instauração de uma comissão de sindicância para investigar as denúncias; o conselho não teria dado a ele chance de defesa e transformou as reuniões, que, pelo Regimento Interno deveriam ser fechadas, em assembléias.
Depois, Warhaftig se reuniu com quatro membros do conselho: César Caggiano dos Santos, Roseli de Lima, Luiz Carlos Bruschi e David Dequech Neto. O grupo defendeu a decisão pelo afastamento e entregou cópia do relatório com 700 páginas. Ao final do encontro, Dequech Neto, representante da Associação Comercial e Industrial do conselho, disse esperar que, até o começo da semana, o governo se decida sobre a questão.
Warhaftig preferiu não dar prazos, ao contrário do que havia dito anteontem à Folha, quando previu uma decisão para hoje. Ele disse que, como Testa deverá ir à Justiça, o governo não pode tomar uma decisão intempestiva. Na sua opinião, se decidir pelo afastamento de imediato, o governo pode ser acusado na Justiça de um ato ilegal.


