Testa diz que vai processar comissão que investigou UEL
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segunda-feira, 06 de agosto de 2001
Lino Ramos<BR>De Londrina 
O reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jackson Proença Testa, disse ontem que vai processar os integrantes da comissão criada pelo Conselho Universitário para apurar denúncias contra a administração da universidade. Na sexta-feira, a comissão divulgou relatório dos trabalhos, apontando indícios de superfaturamento em obras e em contratos publicitários e beneficiamento de aliados políticos com funções gratificadas. Vamos entrar com uma ação pessoal por danos morais contra os membros da comissão, afirmou. Testa está reunindo documentos para rebater as suspeitas levantadas pela comissão.
O reitor negou que o canil do Hospital Veterinário (HV) tenha sido construído em 1996 a R$ 1.250 o metro quadrado. E se mostrou revoltado com a comparação do canil ao preço de um apartamento de luxo cujo metro quadrado valeria R$ 650, como apurou Shimba.
Segundo o reitor, ao analisar a obra, Shimba levou em consideração a área do canil como 142 metros quadrados e não 239 metros quadrados. Não é um canil de fundo de quintal, é um canil de um hospital veterinário, com pequena sala de cirurgia, pias e telas, afirmou.
Testa disse ainda que o preço cobrado pelas empresas varia de acordo com a situação de mercado. Se o preço era tão bom, o professor Shimba poderia indicar os amigos dele para a obra, ironizou. Ele afirmou ainda que a UEL publicou o edital de licitação nos principais jornais da cidade.
Testa também criticou o fato de que Shimba estaria lecionando na Universidade de Marília (SP) e recebendo da UEL por Tempo de Dedicação Exclusiva (Tide). Ele nem poderia participar dessa comissão porque faltou com a ética e não pode posar de justiceiro, disse.
O reitor também rebateu as acusações de que teria promovido a distribuição de funções gratificadas para aliados políticos. As funções foram aprovadas pelo Conselho de Administração. O reitor agiu dentro das normas da UEL. Será um erro da reitoria ou presume-se que foi um erro do conselho?, indagou.
Sobre os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) em benefício de Mário Mendonça, o reitor alegou que os valores são estabelecidos pelo governo federal e não têm a ver com os níveis salariais da UEL. Mário é filho de seu ex-chefe de gabinete Itaicy Mendonça e, segundo a comissão, recebia R$ 35 por hora trabalhada, enquanto doutores da UEL ganham R$ 12,50. Testa disse ainda que as contas do FAT foram aprovadas pelo Ministério do Trabalho.
O reitor também foi acusado de beneficiar a mulher com uma viagem aos Estados Unidos. Testa mostrou cópia de uma fatura de um cartão de crédito, com data de outubro de 98. Segundo ele, o documento comprova que a viagem que fez com sua esposa foi financiada e não realizada com recursos da UEL, como apontou o relatório. Testa disse que vai discutir hoje com sua assessoria jurídica se irá participar da renião do Conselho Universititário, marcada para amanhã.
Shimba não foi encontrado pela reportagem. O presidente da comissão, César Caggiano Santos, afirmou ontem que as acusações de Testa são para desviar o foco de atenção. Não sei por que ele pode nos processar. O Conselho Universitário pediu um relatório e fizemos, rebateu.


