Tesouro faz mistério sobre contas do PR
Patrícia Zanin
De Curitiba
A Secretaria do Tesouro Nacional (STN), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, ainda não concluiu o relatório que vai traçar um raio X das contas do Paraná para avaliar se o governo do Estado está cumprindo ou não as metas de ajuste fiscal. O relatório será um dos instrumentos analisados pela equipe econômica do governo federal para verificar a viabilidade da antecipação dos royalties de Itaipu. O governo do Estado reivindica a antecipação de 23 anos de royalties R$ 1,5 bilhão.
O chefe da missão da STN que esteve no Paraná há duas semanas, Jorge Khalil Miski, disse que o relatório está em andamento e ainda não há data prevista para sua finalização. Se julgarmos necessário, os representantes do governo do Estado serão chamados para dar mais informações, informou.
O governo do Estado tenta garantir a antecipação dos royalties na reedição de uma Medida Provisória (MP) no dia 30. A MP prevê a negociação dos royalties para rolagem da dívida dos Estados junto à União.
A possível antecipação foi criticada na semana passada pelo senador Osmar Dias (PSDB), que, durante um encontro com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, alertou que a concessão feita pelo governo federal em relação a empréstimos e liberação de recursos aos Estados coloca o ajuste fiscal na lata do lixo.
O governo do Estado entende que a União tem de oferecer subsídios aos Estados para que estes possam cumprir o ajuste fiscal. É necessário o auxílio da União aos estados, defendeu o secretário estadual do Governo, José Cid Campêlo Filho.
Segundo ele, o governo está preparando o futuro ao reivindicar a antecipação. O dinheiro vai garantir a capitalização do fundo de previdência e, com isso, desonerar a folha de pagamento para que façamos as adequações necessárias previstas na Lei Camata, disse Campêlo Filho, referindo-se à legislação que obriga os governos do Estados a gastar 60% de suas receitas líquidas com a folha de pagamento. Hoje, o Paraná gasta, segundo o secretário, 75%. Dos R$ 250 milhões mensais da folha, R$ 92 milhões vão para os inativos.
Sobre as críticas de Osmar Dias de que o governo do Estado vai perder de cara com a venda dos títulos públicos resultantes da antecipação dos royalties, Campêlo Filho, negou. Segundo ele, os títulos não serão vendidos em um só momento. E não vai sair gastando para qualquer coisa e sim para capitalizar o fundo.
Ele apelou para a união de todos os paranaenses para garantir o benefício ao Estado. Não podemos repetir os erros do passado quando a desunião não permitiu a concessão de benefícios em detrimento da população. Mas se depender dos três senadores paranaenses, o apelo de Campêlo Filho não será atendido. Osmar, Alvaro Dias (PSDB) e Roberto Requião (PMDB) não concordam com a antecipação.
Para se garantir, o governador Jaime Lerner (PFL) já tratou do assunto com o presidente FHC, com o ministro da Fazenda Pedro Malan, com o presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), com o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente e ainda com o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira.Raio X que avalia possibilidade de antecipação de royalties está em andamento. União não estipula prazo para conclusão
Mauro FrassonAPELOCampêlo: Não podemos repetir os erros do passado quando a desunião não permitiu conceder benefícios, prejudicando a população





