Tesoureiro nega vínculo com Requião
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de novembro de 2001
Rodrigo Sais <br> De Curitiba 
O tesoureiro da campanha de Cassio Taniguchi (PFL) à reeleição da Prefeitura de Curitiba no ano passado, Francisco Paladino Júnior, anunciou sua disposição de processar quem vincular seu nome ao do senador Roberto Requião (PMDB). Paladino Júnior, que confirmou a existência de um suposto caixa 2 na campanha de Cassio, contratou ontem o advogado criminalista Cláudio Dalledone Júnior.
O criminalista anunciou que poderá entrar com ações contra pessoas que vincularem o nome de seu cliente ao de Requião. Partiram do senador os documentos entregues ao Ministério Público (MP) que apontam que o comitê do PFL realizou uma movimentação financeira ilegal durante a campanha. ''Meu cliente apenas prestou depoimento ao MP e afirmou a autenticidade dos documentos. Não pode ser confundido com o denunciante'', afirmou.
O advogado citou o nome do presidente do diretório municipal do PFL, José Carlos Ciccarino, que teria acusado Paladino de ter entregue apenas fotocópias e documentos sem valor ao MP. ''Até onde eu sei, o processo corre em sigilo. Como ele pode afirmar que os documentos eram fotocópias?'', questionou. ''Além disso, não foi o senhor Paladino que entregou os documentos.''
Ciccarino preferiu não se pronunciar à Folha para comentar o caso. Segundo sua assessoria, o presidente do diretório do PFL estaria reunido com demais membros do partido para ''afinar o discurso e ver qual a estratégia que será utilizada no caso''.
A preocupação do PFL se justifica. Os advogados que defendem Cassio e o partido deram declarações contraditórias recentemente sobre a postura dos promotores. Enquanto o advogado do prefeito, Cid Campêlo, solicitou por meio de uma notificação judicial que os promotores guardem sigilo sobre as investigações, o advogado do PFL, Antônio Figueiredo Basto, pedia o oposto. Figueiredo Basto queria ter acesso aos depoimentos já prestados ao MP por acreditar que ''inquérito sigiloso é coisa da ditadura''.
A oposição ao prefeito na Câmara Municipal também afinou o discurso. Após um desentendimento entre os vereadores do PT e do PMDB sobre o melhor momento para assinar e protocolar o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), a bancada decidiu esperar até a sociedade civil apoiar a investigação.


