Uma série de documentos entregues ontem ao Ministério Público (MP) estadual atestam mais credibilidade às denúncias da existência de um caixa 2 na campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). O tesoureiro do comitê do PFL, Francisco Paladino Júnior, repassou ontem ao MP o original do livro-caixa que indica uma movimentação de R$ 29,8 milhões durante a campanha, e que não foram declarados à Justiça Eleitoral. Pela prestação de contas oficial, foram gastos R$ 2,8 milhões.

Além do livro-caixa, o tesoureiro também repassou talões de cheque que teriam sido utilizados pelo coordenador do comitê financeiro de Cassio, Mário Lopes Filho. Na terça-feira, Paladino Júnior já havia confirmado a legitimidade de 28 documentos originais que supostamente teriam sido utilizados na campanha.

Além de Paladino Júnior, mais uma pessoa que trabalhou no comitê do PFL confirmou ontem aos promotores que existem diversas irregularidades na prestação de contas de Cassio. O nome do funcionário do comitê foi mantido em sigilo pelo MP, que garantiu que era uma pessoa que tinha acesso à toda a contabilidade do comitê de Cassio.

Segundo o promotor José Geraldo Gonçalves, os novos documentos e testemunhos atestam a legitimidade da investigação do MP. ''Se não tivéssemos descoberto nada, já teríamos encerrado as diligências. Mas, pelo que apuramos até agora, o caso é grave'', comentou Gonçalves.

Os promotores também ouviram ontem o empresário Paulo Pimentel, proprietário da gráfica O Estado do Paraná. Pimentel confirmou ter prestado serviços durante a campanha no valor de R$ 74.755,00. Segundo Pimentel, as despesas foram pagas todas em dinheiro vivo. O empresário apresentou 12 notas fiscais comprovando as despesas. O comitê do PFL declarou ter pago apenas R$ 21 mil à gráfica O Estado do Paraná em sua prestação de contas oficial.

Para Gonçalves, a divergência de valores já é o suficiente para comprovar a existência de crime eleitoral. ''Se o proprietário da empresa vem e comprova com documentos um gasto maior que o declarado, podemos dizer que houve fraude'', acredita o promotor.

Segundo Gonçalves, outras empresas citadas no livro-caixa já entregaram notas fiscais confirmando terem recebido do PFL verbas que não foram declaradas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A documentação contábil de todas as empresas foi solicitada para apurar se foram prestados serviços ao comitê do PFL.

''Nem todas as empresas forneceram as notas fiscais para nós ainda. Estamos avaliando a possibilidade de que algumas empresas não tenham registrado suas prestações de serviços e vendas, o que caracteriza sonegação fiscal'', explicou. Os promotores esperam receber mais notas fiscais e documentos durante a semana.

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