Tesoureiro do PT é preso em nova fase da Lava Jato
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quarta-feira, 15 de abril de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba O tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto, chegou ontem à tarde na carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, depois de ter a prisão preventiva decretada pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos referentes à Operação Lava Jato. Tanto os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) quanto o magistrado reiteraram a necessidade da prisão preventiva do investigado em virtude de uma conduta criminosa que vinha sendo praticada desde 2004.
Conforme as autoridades, a manutenção de Vaccari Neto em liberdade oferecia um "risco especial", pois mesmo após o oferecimento de denúncia à Justiça em março deste ano, ele permaneceu no cargo de tesoureiro do PT e, desta forma, poderia continuar incorrendo em crimes ou atrapalhar as investigações. Vaccari Neto já é réu em ação penal que tramita na Justiça Federal do Paraná, acusado dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Ele foi detido ontem por volta das 6 horas em sua residência, em São Paulo. Conforme os investigadores, ele não apresentou resistência à prisão. Sua mulher, Giselda Rousei Lima, teve um mandado de condução coercitiva expedido mas foi ouvida na residência do casal. Já Marice Correa de Lima, cunhada de Vaccari Neto, teve a prisão temporária decretada, mas até o início da noite de ontem ainda não havia se apresentado às autoridades. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido no apartamento de Marice, na capital paulista. O tesoureiro do PT chegou em Curitiba por volta das 13 horas e passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) à tarde.
Conforme o delegado da PF Igor Romário de Paula, além do grande volume de prova documental levantado, o nome de Vaccari Neto foi mencionado pelos delatores Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco Filho, Julio Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça.
Durante sua delação premiada, Youssef reforçou que repassou R$ 800 mil em duas parcelas par o tesoureiro do PT. Segundo o doleiro, R$ 400 mil foram entregues pessoalmente à cunhada de Vaccari Neto e o restante foi pago por um de seus funcionários na porta do Diretório Nacional do PT, no centro de São Paulo. Estes valores teriam sido pagos entre os anos de 2009 e 2010.
Além disso, de acordo com estimativa do ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, o tesoureiro do PT teria embolsado US$ 50 milhões entre 2003 e 2013, enquanto o partido teria ficado com um valor entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões, fruto da propina de 90 contratos da Petrobras, como o da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
O delegado da PF apontou que, além das atuais investigações sobre o esquema de corrupção na estatal, existe uma ação penal em curso em São Paulo, que investiga a atuação de Vaccari Neto no período em que ele foi presidente da Cooperativa dos Bancários de São Paulo (Bancoop) entre 2005 e 2010. "O que se atribui a ele não se limita aos depoimentos dos colaboradores, mas também se baseia em material apreendido no andamento das investigações. A característica de reiteração criminosa dele é bem clara, até num tom de desafio às instituições. Vaccari Neto foi denunciado numa ação penal no estado de São Paulo por crimes contra o sistema financeiro no ano de 2010, e há indícios de que a reiteração criminosa se estendeu pelos anos seguintes. O fato da existência de um processo em curso não o intimidou em nada", apontou o delegado.
De acordo com o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, a prisão de Vaccari Neto também teve como fundamento a realização de operações com indícios de crime fiscal. "Verificamos que a família dele possui diversas operações suspeitas que ainda estão sendo investigadas, de valores relativamente significativos em contas sem identificação." Um destes negócios foi a transferência de um apartamento de Marice Lima para a OAS no valor de R$ 430 mil, cerca de dois anos depois dela ter adquirido o imóvel por R$ 200 mil, em 2011.
A força-tarefa da Lava Jato ainda suspeita do uso da Editora Gráfica Atitude, de São Paulo, para lavar dinheiro desviado da Petrobras. "Há prova documental do pagamento de pelo menos R$ 1,5 milhão por empresas controladas por Augusto Ribeiro de Mendonça à Editora Gráfica Atitude e que teriam sido feitos por solicitação de Vaccari em espécie de doação não-contabilizada", escreveu Moro, em trecho de sua decisão sobre a prisão.


