SÃO PAULO - A realização de um plebiscito para decidir sobre a possibilidade de haver reeleição para membros do Executivo recebeu apoio do governador paulista, Mário Covas (PSDB), do senador José Sarney (PMDB-AP) e do governador do Paraná, Jaime Lerner (PDT).
Covas acredita ser pouco provável sua realização. ‘‘Defendo o plebiscito em tese, mas não creio que ele vá se viabilizar porque esse assunto vai ganhar velocidade maior, está na iminência de ser votado em janeiro’’, disse o tucano.
As declarações foram feitas em São José do Rio Preto (451 km a noroeste de São Paulo), durante a inauguração de obras do governo estadual. Covas reafirmou sua posição contra a reeleição e disse que, se a proposta passar no Congresso, não vai disputar um segundo mandato no Palácio dos Bandeirantes. ‘‘Não vejo nenhum mal em ter reeleição, mas, se meu partido fechar a favor, mantenho minha posição’’, disse.
O governador afirmou ainda que a reeleição deveria ser discutida ‘‘um pouco mais adiante, lá no final do governo, como foi feito na Argentina’’. Ele disse temer que a discussão sobre a reeleição abandone o nível da idéias e passe a abordar condutas. ‘‘A reeleição vai levar a uma discussão sem fim do uso da máquina. Imagine se acontece aqui como nos Estados Unidos: o cara pega o avião presidencial e vai fazer comício no Texas. Já imaginou o Fernando Henrique fazer um comício no Rio Grande do Sul?’’
Sobre o direito de reeleição para os cargos executivos, o senador José Sarney disse: ‘‘Um plebiscito respaldaria muito qualquer decisão do Congresso. Estabeleceria um núcleo de consenso no país sobre a questão’’.
Para Sarney, o plebiscito também ‘‘encerraria todas as discussões e trocas de acusações que vêm acompanhando o debate sobre reeleição no cenário nacional’’. Ele não quis declarar se é contra ou a favor da reeleição para os atuais ocupantes de cargos do Executivo, nem se apóia a reeleição para todos os níveis. Disse preferir acompanhar a posição do PMDB.
O governador do Paraná, Jaime Lerner, defende a tese da reeleição em todos os níveis do Executivo (prefeitos, governadores e presidente da República). Lerner, de acordo com sua assessoria de comunicação, acredita que o dispositivo de reeleição para os atuais ocupantes de cargos executivos tem que passar pelo crivo popular, pois, quando foram eleitos, as regras não o previam.

mockup